“ENCONTRANDO DEUS”

 

INSTITUTO DE SANTA MADALENA DE CANOSSA

Todavia, na sequência dos meses, o senhor Augusto Michieli comprou um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, e naturalmente tinha que organizar o pessoal, estabelecendo inclusive os seus critérios administrativos. E por isso, tinha necessidade da ajuda de sua esposa, a fim de conseguir em pouco tempo colocar o Hotel em pleno funcionamento. E por essa razão, a conselho de seu administrador, senhor Iluminado Checchini, a criança e Bakhita deveriam ficar na Itália, e foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos em Veneza, até que eles pudessem levá-la definitivamente para lá. E foi assim que Bakhita veio conhecer aquele DEUS maravilhoso que desde pequena «sentia dentro de seu coração, sem saber quem ELE era».

 

O senhor Michieli, homem religioso e verdadeiramente praticante, deu de presente a Bakhita um crucifixo de prata, que ela descreve o acontecimento com satisfação, dizendo: “Ele ao me presentear com o crucifixo, o beijou com muita devoção. Depois me explicou que era JESUS CRISTO, o FILHO DE DEUS, que morreu crucificado por todos nós”. Eu me senti muito bem ao lado daquele crucifixo. E posso afirmar:“Impelida por uma força misteriosa, eu o olhava, como que às escondidas, e sentia dentro de mim algo tão agradável que não sabia explicar”.

As Irmãs Canossianas muito prestativas receberam muito bem a criança Mimmina e Bakhita.E logo, sem perda de tempo,começaram a catequizar a jovem Bakhita ensinando-lhe a doutrina e as verdades cristãs, começando a lhe falar sobre JESUS, NOSSA SENHORA, o PAI ETERNO e o ESPÍRITO SANTO. E assim, lendo e estudando os ensinamentos cristãos, Bakhita sentia-se consciente de como DEUS NOSSO SENHOR lhe conhecia profundamente e lhe amava. ELE verdadeiramente a conduziu ao longo da sua vida, através daqueles terríveis caminhos escabrosos do tráfico humano, dos maus tratos e injustos castigos que enfrentou, invisivelmente segurando-a pela mão e protegendo-a nas ocasiões mais críticas e perigosas. Muitas vezes pensando nestes tristes fatos, Bakhita chorava, mas com o coração alegre e feliz, porque em tudo, ela via a bondosa MÃO DIVINA.

Tempos depois, quando a senhora Maria Turina regressou de seu trabalho na África e veio buscar a sua filha e Bakhita, a babá com determinação e coragem incomuns, manifestou a sua vontade de permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele DEUS que lhe havia dado tantas provas de amor. A senhora Turina não se conformou, queria que Bakhita também viajasse com eles porque tinha necessidade dela. Mas Bakhita não aceitou o convite de maneira nenhuma. Agora que ela conheceu o verdadeiro DEUS, e a possibilidade de se manter perto dele, para rezar e adorá-lo, não queria se afastar dali. A senhora Turina sentiu-se lesada em seus direitos e chegou a reclamar na Justiça. Durante três dias permaneceu insistente querendo que Bakhita voltasse com ela. O Patriarca de Veneza, Cardeal Domenico Agostini a par de toda a situação, quis solucionar o problema. Resolveu fazer uma reunião no próprio Instituto dos Catecúmenos em Veneza. Durante a reunião, primeiramente falou o Patriarca dizendo sobre o interesse e a necessidade de encontrar a solução certa para o caso. A seguir a senhora Maria Turina Michieli muito nervosa, expôs o problema reclamando os seus direito sobre Bakhita. O Procurador do Rei então disse: “Na Itália não há comércio de escravos. A partir do momento em que um escravo coloca o pé em solo italiano, automaticamente ele se torna livre. Portanto, eu declaro oficialmente que Bakhita é livre”.

A questão estava perfeitamente resolvida pela lei italiana. A senhora Maria Turina sem poder apelar, voltou para a África, em Suakin, no Mar Vermelho, somente com sua filha Mimmina. A jovem Bakhita, com 21 anos de idade, sendo inclusive de maior de idade, agora gozando de todos os direitos que a lei italiana lhe assegurava, feliz da vida permaneceu na Casa Religiosa em Veneza.

Disse Bakhita: “Eu amo a senhora Michieli e sinto imensamente ter que abandonar Mimmina. Mas, eu não posso deixar esse lugar, porque não quero perder nunca, o meu querido e amado DEUS”.

Era o dia 29 de Novembro de 1889, e Bakhita fez a escolha de sua vida:“Deixou tudo por TUDO" (pelo seu querido, amado e poderoso DEUS).

 

FILHA DE DEUS

As irmãs com satisfação, se dedicaram em catequizá-la, ensinando-lhe os principais acontecimentos da vida de JESUS, assim como os benefícios da Iniciação Cristã. Bakhita recebeu os três Sacramentos da Iniciação Cristã, sendo Batizada e também ganhou um novo nome: Josephine Bakhita. Na continuidade também foi Crismada e recebeu o Sacramento da Sagrada Comunhão Eucarística. Era o dia 9 de janeiro de 1890. Estava tão alegre e feliz, que não encontrava palavras para manifestar toda a sua satisfação. Desse dia em diante, era fácil vê-la rezando na Capela da Irmandade, beijando sucessivamente a imagem de JESUS, de NOSSA SENHORA e inclusive a Pia Batismal, onde ela foi Batizada. Com um sorriso de imensa alegria ela dizia: “Aqui me tornei filha de DEUS!».. E disse também:“Recebi o Santo Batismo com uma alegria que só os Anjos poderiam descrever”.

 

CONSAGRAÇÃO A DEUS

Ela continuou firme com os estudos onde sentiu no interior do seu coração, com muita clareza o “chamado para se tornar religiosa e doar-se totalmente ao SENHOR, no Instituto de Santa Madalena de Canossa”.

A 9 de Janeiro de 1890, Josephine Bakhita se “Consagrou para sempre” ao seu DEUS, que ela carinhosamente chamava de "meu Paron!” (Meu Patrão).

Bakhita sonhava com a conversão do povo africano e, no dia de sua profissão (de fé) religiosa, rezou: “Ó SENHOR! Ah! se eu pudesse voar lá longe, entre a minha gente e proclamar a todos, em voz alta, a tua bondade. Oh! Quantas almas eu poderia conquistar para Ti! Entre os primeiros, a minha mãe e o meu pai, os meus irmãos, a minha irmã ainda escrava... E todos, todos os pobres negros da África. Faça, ó JESUS, que também eles te conheçam e te amem!”.

Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, uma verdadeira testemunha do Amor de DEUS, dedicou-se às diversas ocupações na Casa da Irmandade em Schio, para onde foi transferida em 1902, e onde sempre com muita alegria e prazer fazia de tudo.

Foi cozinheira, responsável pela rouparia, bordadeira, sacristã e porteira da Unidade Religiosa. E sendo sempre simpática e atenciosa ao povo cristão, todos gostavam dela e admiravam a sua paciência e especial carinho com as crianças. A sua voz tinha uma tonalidade amável, que agradava e reconfortava os pobres, os doentes, e se tornava alegria para as crianças que visitavam o Instituto. Sem qualquer dúvida, era a felicidade e a pureza do amor de Bakhita, que brotando de seu coração apaixonado por DEUS, derramava caudalosamente sobre todos que se aproximavam dela.

 

DIVULGANDO O VERDADEIRO AMOR

Com o passar dos meses, todos a conheceram verdadeiramente, por sua bondade e delicadeza da sua alma. A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio. As Irmãs a estimavam pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de fazer com que JESUS fosse mais conhecido e amado.

ELA DIZIA SEMPRE:

«Sede bons, amai a DEUS, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a DEUS!»

Chegou a velhice e com ela, uma doença longa e dolorosa, mas a Irmã Bakhita permaneceu firme com o seu testemunho de fé e de bondade. Quando uma pessoa ao lhe visitar, lhe perguntava como se sentia? Sorrindo ela respondia: «Como o Patrão quer».

 

A DESPEDIDA

Na agonia reviveu os abomináveis anos da sua escravidão. As vezes chorava e pedia a enfermeira para soltar as suas correntes. (sonhava com aqueles terríveis tempos de escravidão).

No momento certo, a SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA a livrou de todos os males e sofrimentos. Irmã Bakhita abriu os olhos e sorrindo viu a MÃE DE DEUS bem próximo dela. Suas últimas palavras foram: «NOSSA SENHORA! NOSSA SENHORA!».

Faleceu com 78 anos de idade, no dia 1º de Dezembro de 1978, na Casa do Instituto Religioso em Schio, rodeada pela comunidade em prantos e em oração. Quando a notícia alcançou as residências da cidade, uma multidão de pessoas acorreu à Casa do Instituto para ver, pela última vez, a sua «Santa Irmã Morena», como respeitosa e amorosamente a chamavam, e pedir-lhe a sua preciosa proteção lá do céu. Verdadeiramente Bakhita já era considerada uma verdadeira Santa. Só lhe faltava mesmo a palavra definitiva e oficial, evidenciando a sua Santidade. Mas, na continuidade isso verdadeiramente aconteceu. Antecipando, em Schio apareceram diversas pessoas declarando que tinham sido curadas de algum mal, pela intercessão de Bakhita junto a DEUS, suplicando o benefício para aquelas pessoas que necessitavam.

O seu corpo foi transladado para a Igreja da Sagrada Família em Schio, onde foi venerada devotamente por numerosos fiéis que a visitaram durante três dias, desejosos de contemplá-la pela última vez. Milagrosamente os seus membros se conservavam flexíveis durante os três dias, sendo possível mover o seu braço e colocá-lo na cabeça das crianças. Por este acontecimento Santa Bakhita revelava mais um segredo da sua santidade, manifestado ali pelo seu corpo humilde, manso, obediente e amoroso. Finalmente o seu corpo incorrupto foi transladado para permanecer visível sob o altar da Igreja da Sagrada Família em Schio, numa tumba com vidro.

 

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