PETIÇÕES DA ORAÇÃO

 

 

1º – PRIMEIRA PETIÇÃO:

 

=“PAI NOSSO QUE ESTÁS NO CÉU SANTIFICADO SEJA O TEU NOME”=

 

Iniciamos pedindo que o Nome de DEUS se manifeste e permaneça em nós. Porque, sobretudo, o Nome de DEUS é admirável e amável, e o SENHOR é Todo-Poderoso. São Marcos registrou no seu Evangelho as palavras de JESUS:

“Estes são os sinais que acompanharão aos que tiverem acreditado: em Meu Nome expulsarão demônios, falarão em novas línguas, pegará em serpentes, se beberem algum veneno mortífero nada sofrerão; imporão as mãos sobre os enfermos e estes ficarão curados.” (Mc 16,17-18)

Santo Ignácio de Loyola sendo obrigado pelo Imperador Trajano a negar o nome de CRISTO, respondeu: “Ainda que o tires da minha boca, jamais poderá tirá-lo do meu coração.”

O Nome de DEUS é venerável e é digno do maior respeito. São Paulo, disse:

“... de modo que, ao nome de JESUS, se dobre todo o joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra, e, para glória de DEUS, o PAI, toda língua confesse: JESUS é o SENHOR”. (Fl 2,10-11)

O Santo Nome de DEUS tem um poder inexplicável. Assim como o fogo purifica os metais, assim DEUS purifica as consciências dos pecadores. A este propósito está escrito:

“... por que o SENHOR teu DEUS é um fogo devorante, um DEUS zeloso.” (Dt 4,24)

Por isso, com muita propriedade rezamos ao PAI ETERNO: “Santificado seja o TEU Nome”.

 

 

2º – SEGUNDA PETIÇÃO:

 

=“VENHA A NÓS O TEU REINO” =

 

O DIVINO ESPÍRITO SANTO faz com que no quotidiano, nós amemos, desejamos e pedimos retamente. Este é um reflexo do Dom do Temor de DEUS, que o ESPÍRITO SANTO infunde nas almas dos fiéis. E o muito importante e próprio deste Dom, é que ele causa um efeito doce, suave e de grande devoção ao PAI ETERNO. E por isso mesmo, este afeto faz com que peçamos com convicção: “Venha a nós o TEU Reino”.

Na epístola de São Paulo a Tito encontramos uma sólida informação:

“Ele nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para viver de modo sensato, justo e piedosamente neste mundo, aguardando a nossa bendita esperança, a manifestação da glória do nosso grande DEUS e Salvador, NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.” (Tt 2,12-13)

E para nossa alegria, a vinda do Reino de DEUS é a felicidade eterna, com a morte destruída. Pois sendo CRISTO a vida, em seu Reino não pode existir a morte, porque ela é contrária a vida. Por essa razão, disse São Paulo:

“O último inimigo a ser destruído será a morte.” (1 Cor 15,26)

Por outro lado, devemos desejar o Reino de DEUS porque lá existe a verdadeira liberdade. Na vida terrestre a humanidade não soube cultivar e nem construir a liberdade plena. São Paulo afirma que esta esperança será alcançada no Reino de DEUS:

“... ela (a humanidade) também será libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de DEUS.” (Rm 8,21)

 

 

3º – TERCEIRA PETIÇÃO:

 

= “FAÇA-SE TUA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU” =

 

O terceiro Dom que o ESPÍRITO SANTO nos concede é o Dom da Ciência, que reproduz também o Dom do Temor e da Piedade, além de produzir um doce afeto para com DEUS, tornando as pessoas sábias na vida. Esta é uma experiência que não se consegue com os estudos, mas é uma virtude especial que vem de DEUS.

O Rei David pedia:

“Ensinai-me o senso da retidão e a sabedoria, porque tenho fé nos VOSSOS Mandamentos.” (Salmo 118,66)

Esta é a Ciência que nos ensina a viver bem. Assim sendo, esta realidade nos torna presente, que nada devemos pedir a DEUS, senão que faça a Vontade DELE em nós.

ELE mesmo, o SENHOR JESUS, nos deu o seu magnífico exemplo:

“... pois desci do Céu não para fazer a Minha Vontade, mas a VONTADE de QUEM Me enviou.” (Jo 6,38)

Também é Vontade de DEUS que nós, os seus filhos, cumprimos os Seus Mandamentos para alcançarmos a vida eterna. JESUS nos disse:

“... Mas se queres entrar para a vida, guarda os Mandamentos.” (MT 19,17)

A Vontade de DEUS é perfeita, e o SENHOR quer que cada dos seus filhos vivam honestamente. São Mateus no seu Evangelho registrou o desejo Divino:

“Portanto, deveis ser perfeitos como o Vosso PAI CELESTE é perfeito.” (MT 5,48)

Por conseguinte, ao rezarmos: “faça a Tua Vontade”, concordamos com o SENHOR e nos colocamos a disposição DELE, para ELE nos estimular a observar os Mandamentos Divinos.

Por outro lado, é racional e construtivo, que cada pessoa busque aperfeiçoar a sua maneira de falar. Pois bem, não se deve dizer “faz” e nem tampouco “façamos”, mas disponivelmente dizer “faça-se” a TUA Vontade. Assim devemos nos acostumar a dizer, por que duas coisas são necessárias para se alcançar a vida eterna: “a Graça de DEUS” e a “vontade da pessoa” . Por mais que DEUS nos tenha criado sem qualquer participação ou auxílio nosso, ELE não nos “justificará” sem que nós decididamente desejarmos. Assim nos ensina Santo Agostinho:

“ELE que te criou a ti sem ti, não te justificará si tu não quiseres.”

E como disse São Paulo:

“Mas pela Graça de DEUS sou o que sou; e sua Graça a mim dispensada não foi estéril. Ao contrário, trabalhei mais do que todos eles; não eu, mas a Graça de DEUS que está comigo.” (1 Cor 15, 10)

O desejo Divino é que as pessoas se transformem e retornem ao estado espiritual e a dignidade que possuía o primeiro homem quando foi criado. Enquanto a alma estava submissa a DEUS, a carne estava de tal maneira submissa ao espírito, que não tinha nenhuma enfermidade e nenhuma paixão. Mas, desde o momento em que a alma se revelou pelo pecado contra DEUS, começou a experimentar a enfermidade, a morte e uma continua rebelião da carne contra o espírito.

São Paulo exemplifica o fato em duas citações:

“... mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros.” (Rm 7, 23)

“Pois a carne tem aspirações contrárias ao espírito e o espírito contrárias a carne.” (Gl 5,17)

E São Paulo, concluí:

“Porquanto, é esta a Vontade de DEUS: a vossa santificação.” (1 Ts 4,3)

 

 

4º – QUARTA PETIÇÃO:

 

= “O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE” =

 

As vezes as pessoas se sentem acovardadas, sem coragem para repudiar ou não desejar, o que não está correto ou que é desordenado. Por isso mesmo, o Dom da Fortaleza é necessário, porque ele não permite que o fiel desfaleça ou fraqueje por temor de agir.

É comum as pessoas desejarem as coisas desordenadamente, sempre querendo o que excede ao seu estado pessoal e também a sua condição financeira, não se contentando com aquilo que lhe é conveniente. Pois este é o efeito que NOSSO SENHOR quer que evitemos, quando nos ensina a pedir somente: “o pão nosso de cada dia”.

Porque este vício desordenado pelas coisas temporais, afasta as pessoas das coisas espirituais. Então, o SENHOR nos ensina a pedir só o necessário para a vida presente, conforme a condição de cada um.

Ainda para completar esta Quarta Petição, devemos lembrar que existem duas classes de pães para a alma: um Pão Sacramental e o Pão da Palavra de DEUS. Pedimos o Pão Sacramental que se consagra na Santa Missa, transubstanciado pelo ESPÍRITO SANTO em Corpo, Sangue, Alma e Divindade de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, o qual recebemos como Sacramento de Vida, para a nossa salvação. Sobre ele temos duas citações:

“EU Sou o Pão Vivo descido do Céu.”(Jo 6, 51)

“Pois aquele que come e bebe indignamente o Corpo do SENHOR, come e bebe a própria condenação.” (1 Cor 11, 29)

O outro Pão é a Palavra de DEUS. NOSSO SENHOR falou e São Mateus registrou:

Mas JESUS respondeu: "Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de DEUS.” (MT 4,4)

 

 

5º – QUINTA PETIÇÃO:

 

= “E PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS OFENDEU” =

 

Todo bom conselho é necessário e ajuda na salvação das pessoas. E por isso mesmo, o Dom do Conselho devemos também pedir ao ESPÍRITO SANTO, porque, da mesma forma que um conselho médico, por exemplo, é necessário ao enfermo, o Dom do Conselho para a pessoa que está atribulada, enferma pelo pecado é especialmente necessário. O Profeta Daniel dá um conselho:

“Portanto segue, ó Rei, o conselho que te dou, e resgata os teus pecados com esmolas e as tuas iniquidades com obras de misericórdia para os pobres: talvez que o SENHOR te perdoe os teus delitos.”(Dan 4,24)

O melhor remédio contra o pecado é a esmola e a misericórdia. Por isto, o ESPÍRITO SANTO ensina aos pecadores que roguem e peçam: “Perdoai as nossas ofensas”.

Todas as pessoas pecam e necessitam do perdão Divino. E assim sendo, as pessoas devem buscar o perdão do SENHOR com a esperança de realmente alcançá-lo, sentindo-se estimulados a não mais pecar. Nunca devem se desesperar, porque a falta de esperança na misericórdia de DEUS, pode conduzir os pecadores a pecados maiores e mais terríveis. São Paulo escreveu:

“Tendo-se tornado insensíveis (perdidas todas as esperanças), entregaram-se à dissolução para praticarem avidamente toda sorte de impurezas”. (Ef 4,19)

Por isso é importante e benéfica a nossa existência, que sempre tenhamos esperanças no SENHOR. Porque por mais pecador que seja a pessoa, deve esperar que um dia se arrependa das suas faltas e se converta, porque pensando assim e buscando o caminho do perdão Divino, DEUS o perdoará.

Devemos ter presente que no pecado existem dois acontecimentos: a “culpa” com que DEUS é ofendido e a “pena” (castigo) que se deve pela “culpa” (do pecado).

É verdade que a “culpa” se perdoa com a contrição (arrependimento), quando o pecador tem o propósito de se confessar e satisfazer, ou seja, dizendo o pecado, mostrando-se arrependido e não desejando cometê-lo outra vez. O livro dos Salmos tem uma citação esclarecedora:

“Manifestei-VOS o meu pecado, não escondi a minha culpa; disse: confesso ao SENHOR a minha falta. E VÓS perdoastes a culpa (malícia) de meu pecado”.(Salmo 31,5)

Alguém pode perguntar:

Se o pecado se perdoa com a contrição, o sacerdote não é necessário?

Pela contrição DEUS perdoa a “culpa” do pecado, e assim, a “pena eterna” se converte em “pena temporal” . A “pena temporal” só é eliminada pela “Confissão Sacramental” , ou seja, por meio do sacerdote.

 

 

6º – SEXTA PETIÇÃO:

 

= “E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO” =

 

DEUS algumas vezes prova a fidelidade das pessoas, com o objetivo mesmo de testar as suas virtudes e inclusive, de servir de exemplo para outras pessoas. A este propósito encontramos no livro do Deuteronômio:

“... porque o SENHOR, VOSSO DEUS, vos tenta para se fazer manifesto, se o amais ou não, de todo o vosso coração, e de toda a vossa alma”.(Dt 13,3)

Se a pessoa resiste à tentação, podemos afirmar, grande é sua virtude. Mas se sucumbe, ela é fraca, não vale nada diante de DEUS.

Diretamente o SENHOR não tenta ninguém. ELE permite que aconteça a tentação pelos próprios desejos do pecador, por meio dos acontecimentos do mundo e também diretamente pelo demônio. Mas quando se trata de um teste de fidelidade, o SENHOR nunca permite que a tentação ultrapasse um determinado limite. Com estas considerações é fácil raciocinar que o cuidado é necessário, porque a carne quer sempre o seu deleite, e se ocuparmos dos deleites carnais, abandonaremos os do espírito.

O Livro da Sabedoria nos ensina:

“Porque o corpo que se corrompe, faz pesada a alma, e esta morada terrestre abate o espírito que pensa muitas coisas”.(Sab 9,15)

A respeito deste assunto, São Paulo na epistola aos Romanos escreveu:

“Eu me comprazo na Lei de DEUS segundo o homem interior; mas percebo outra lei em meus membros, que luta contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros”.(Rm 7, 23)

E como se livrar da tentação?

Através das orações. As orações perseverantes são o caminho mais adequado para que as pessoas resistam às tentações. Também pelo fervor da caridade praticada, DEUS aceita e edifica um poderoso baluarte que robustece as forças do fiel para não cair em tentação. E assim, a pessoa resistindo e não consentindo a tentação, conservará limpo o seu coração. E com imenso júbilo interior ela irá ler na relação das bem-aventuranças:

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a DEUS”. (Mt 5,8)

 

 

7º– SÉTIMA PETIÇÃO:

 

= “MAS LIVRAI-NOS DO MAL. AMÉM” =

 

Nas Petições anteriores o SENHOR nos ensinou a pedir o perdão dos pecados, e de que modo podemos evitar as tentações. Aqui, nesta parte final da oração, ELE nos ensina a pedir que sejamos preservados de todo o mal.

Todavia, apenas para conhecimento e precaução dos fiéis, São Paulo alerta na epístola a Timóteo:

“Aliás, todos os que quiserem viver com piedade em CRISTO JESUS serão perseguidos”.(2 Tm 3,12)

Todavia, algumas vezes, DEUS concede que as pessoas não sejam afligidas, porque ELE sabe que várias são impotentes e não conseguirão resistir às tentações em plenitude.

São Paulo escreveu na segunda epístola aos Coríntios:

“Irmãos, não queremos que ignoreis: a tribulação que padecemos na Ásia, nos acabrunhou ao extremo, além das nossas forças, a ponto de perdermos a esperança de sobreviver”. (2 Cor 1, 8)

DEUS também livra as pessoas nas adversidades, quando inclusive as consola nas aflições:

“Mas aquele que consola os humildes, DEUS, consolou-nos pela chegada de Tito”. (2 Cor 7, 6)

Portanto fica demonstrado que DEUS livra as pessoas do mal e das tribulações, convertendo-as em bem. E o “bem” exige paciência, e se fundamenta numa sólida fé, espelho de uma sincera confiança no SENHOR.

 

 

No final da oração está a palavra “Amém”, que é a confirmação universal de todas as Petições contidas na “Oração do PAI NOSSO”. O "Amém" é uma palavra litúrgica que indica anuência firme e concordância perfeita, com um artigo de fé.

 

 

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