OS PRIMEIROS ANOS

O senhor Cláudio Alacoque era Juiz e Tabelião Real dos Feudos de Terreau, de Corcheval e de outros locais. Casou-se em 1639 com Felisberta Lamyn. Para felicidade do casal, DEUS os tinha escolhido para serem o pai e a mãe de uma admirável menina, batizada com o nome de Margarida, que ia ser uma puríssima estrela de santidade na constelação da Igreja, além de tornar ilustre e famoso o nome da família Alacoque.

Eram cinco os filhos do casal e todos viviam nas amplas acomodações do Castelo de Corcheval com seus parentes.

Margarida nasceu na aldeia de Lhautecour Território de Charolês Verosvres, Diocese de Autun, na Bretanha, perto de Dijon, na França, numa segunda-feira, dia 22 de julho de 1647 e foi batizada na quinta-feira, três dias após o seu nascimento. Teve como padrinhos o seu tio Antonio Alacoque, que era o pároco de Verosvres e por madrinha, Margarida de Saint-Amour, casada com o senhor Cláudio de Fautrières Corcheval, senhor de Corcheval.

Para conhecermos tudo o que se passou na alma daquela criança e depois jovem religiosa, DEUS quis que a chave para o santuário fosse preservada. Esta chave é o manuscrito original da Autobiografia da Santa (Memoire), que ela escreveu. Por repugnância de permanecer em evidência, não queria atender ao pedido do Padre Rolin, um jesuíta que foi o seu Diretor Espiritual durante os anos 1685-1686, que insistiu na publicação daqueles notáveis acontecimentos sobrenaturais. Mas, diante da ordem do SENHOR ela cedeu e escreveu todos os fatos, de maneira simples, objetiva e encantadora, de modo que o escrito é um precioso tesouro do Mosteiro de Santa Maria da Visitação em Paray Le Monial.

"Ó meu único amor! Como Vos agradeço de impedir a minha juventude precoce, fazendo-se meu Mestre e possuidor do meu coração... Assim que me apercebi do SENHOR, ELE me fez ver a feiúra do pecado que imprimiu tanto horror ao meu coração, que a menor falta me era um tormento insuportável. Desse modo, para impedir a vivacidade da minha infância, sempre pronta a uma natural travessura, tinha apenas que me dizer que aquilo era ofensivo a DEUS, para me deter e não praticar o que eu queria fazer".

 

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Quando Margarida atingiu a idade de quatro anos, a sua nobre madrinha levou-a para o seu Castelo e a entregou aos cuidados de duas de suas melhores serventes, para lidar e atender a sua amada afilhada. Todavia, sendo muito diferente o humor daquelas duas pessoas, seu discernimento a fez compreender que a Graça Divina habitava a alma de apenas uma daquelas duas mulheres, de quem mais se aproximou e cultivou a amizade.

O SENHOR lhe tinha dotado de tais impulsos especiais, que usava para manter a sua pureza, a qual , "mesmo sem saber o que aquilo significava", ela se sentia continuamente pressionada a dizer estas palavras: "Ó meu Deus, Vos consagro a minha pureza e Vos faço o voto de perpétua castidade". Uma vez ela pronunciou estas mesmas palavras durante a Santa Missa na hora da Consagração, entre as duas elevações da Hóstia e do Cálice. Assim, sem que sua inteligência soubesse, já estava marcada com um selo Divino.

Seu maior prazer era invocar a SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA, recitando o Rosário, de joelhos na terra nua, ou fazendo tantas genuflexões beijando a terra à medida que pronunciava a Ave Maria.

O primeiro passo que DEUS proporcionou a nossa Santa no caminho do sacrifício foi triste e doloroso. Com sete anos e alguns meses de idade, teve que voltar para junto de seus pais. Em 1654, morreu sua irmãzinha Gilberta com um mal que assolou a região. Logo a seguir, com 41 anos de idade, também faleceu o seu pai. Ele além de ser um pai amoroso e cheio de atenções, era altamente considerado no país, porque era uma pessoa de honra e acima de tudo, um verdadeiro cristão. Sua esposa, senhora Felisberta Alacoque, ficou na incumbência da guarda e proteção dos cinco filhos, além dos compromissos domésticos. Por essa razão para não negligenciar na educação da filha, resolveu levá-la para uma pensão particular, na Casa dos Urbanistas de Charolles (Assim eram conhecidas as Irmãs Clarissa que seguiam a Regra instituída pelo Papa Urbano IV). Foi lá que Margarida entrou em contato com a Doutrina cristã e pelo seu interesse em conhecer o assunto com seriedade, fez a Primeira Comunhão com apenas 9 anos de idade, quando naquela época, o comum era o recebimento da Primeira Eucaristia aos 12 anos de idade.

Falou Margarida: “Esta comunhão derramou tanta alegria e tanto amor em meu coração, que ocupava a minha mente e dominava a minha vontade. Eu não sentia qualquer estimulo e nenhum prazer em participar dos divertimentos na comunidade religiosa, embora participasse de algumas brincadeiras para não parecer uma pessoa diferente junto das monjas”

Amigável e modesta, a jovem pensionista fez amizade com todas as pessoas. Olhando para os seus professores como se fossem santos, e fazendo da santidade uma bandeira obrigatória aos religiosos, cresceu nela a vontade de também ser religiosa para ser Santa. Mas não conhecendo a Regra de outras Comunidades Religiosas a não ser daquela Casa das Clarissa, onde morava, pensou "que deveria continuar lá”, de acordo com sua ingênua expressão.

Mas depois de dois anos no Colégio, foi obrigada a retornar ao lar em virtude de séria doença. Entre os dez e quinze anos de idade, ficou presa ao leito com um incômodo problema de reumatismo nas articulações. Alguns diziam que era paralisia. A verdade é que ela ficou semi-paralítica e tão magra, que dizia: “os ossos me furavam a pele por todos os lados”, e não podia andar. Os médicos esgotaram toda a sua ciência e não conseguiram nenhum resultado satisfatório.

Margarida lembrou-se de NOSSA SENHORA e raciocinou:“A SANTÍSSIMA VIRGEM sempre teve um cuidado muito especial e carinhoso comigo. A Ela sempre eu recorri em todas as minhas aflições e necessidades, e sempre recebi Dela, uma preciosa atenção e o fervor de seu amor maternal. Também foi Ela que me defendeu e protegeu contra todos os grandes perigos que rondaram a minha vida”.

Decidiu consagrar-se a NOSSA SENHORA, prometendo-lhe que, se ficasse curada, seria uma de suas filhas religiosas. “Apenas fiz o voto”, declara Margarida, “fiquei logo curada da doença com a preciosa proteção da SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA. Ela tomou posse inteira do meu coração, olhando-me como sua filha. Ela me governava como coisa e propriedade sua que lhe fora consagrada”.

Em pouco tempo, as feridas cicatrizaram, e todos os vestígios da doença desapareceram. Assim, NOSSA SENHORA se tornou a Diretora Espiritual de Margarida, além de MÃE inigualável, a quem entregou a sua vida, dedicando-lhe todo o seu amor e atenção. Conta Margarida, que a VIRGEM MARIA também “me repreendia quando eu cometia alguma falta”.

Certo dia, Margarida rezando o Terço ajoelhada no chão, resolveu sentar-se num banco, buscando a sua comodidade. NOSSA SENHORA maternalmente lhe sussurrou: “Suas orações Me proporcionarão maior alegria se você minha filha, continuar rezando ajoelhada”.

Aquele aviso da Mãe do Céu acordou Margarida, que como filial recompensa, decidiu jejuar todos os sábados em honra à VIRGEM MARIA, rezar o Oficio da Imaculada Conceição e fazer “sete genuflexões todos os dias de sua vida, com sete Aves Maria, em homenagem as sete dores da MÃE DE DEUS”!

 

A FAMÍLIA E AS PROVAÇÕES

Desde a morte do marido, a senhora Alacoque foi despojada de sua autoridade em sua própria casa. Ela vivia com sua filha Margarida sujeita a uma verdadeira servidão. A perseguição era contínua, e assim permaneceu ao longo dos anos. Margarida teve de sofrer uma espécie de martírio que somente DEUS sabia. Silenciosamente padecia como mais um meio de sua purificação espiritual.

Havia três pessoas naquela casa, que a Santa tinha o cuidado de ocultar os nomes, apenas se contentando de chamar-lhes: "os queridos benfeitores da minha alma; os verdadeiros amigos da minha alma” (eram a Avó Paterna, senhora Jeane Delaroche, sua Tia Paterna, senhora Benoîte Alacoque, esposa de Toussaint Delaroche, e sua Tia-Avó Paterna, senhora Benoîte de Meulin, viúva de Simon Delaroche e mãe de Toussaint). Estas três pessoas não cessavam de controlar as suas ações e, sobretudo, na maneira particular delas, cada uma oprimia Margarida e sua mãe, de modo que a sujeição era tripla e a humilhação sempre renovada. Uma crueldade sem fim!

O que aumentava mais as angústias da Santa eram as frequentes doenças de sua mãe. Ela se via destituída de todos os meios, inclusive dos mais elementares, para ajudar a aliviar ou minorar as dores que ela sentia. Uma vez o seu castigo chegou ao extremo: vendo sua mãe sofrer terrivelmente de uma erisipela, mesmo não sendo malignos os tumores, seus parentes não se aproximava para ajudar de modo algum, ao contrário, colocavam todos os obstáculos para ela, a filha, não fazer os necessários curativos nas feridas, que com dedicação e coragem ela realizava.

Margarida, triste e consumida pela dor foi a Santa Missa no dia da Circuncisão do SENHOR e fervorosamente suplicou a JESUS a cura de sua pobre mãe. De retorno a residência encontrou sua mãe chorando e sofrendo com as feridas abertas. Explicou a Santa: “Sem outro remédio que aquele da Divina Providência, fez os curativos com tanta confiança na Bondade de DEUS, que em poucos dias as feridas foram secando e sua mãe ficou completamente curada, contra todas as expectativas humanas”.

Nas suas desolações interiores e nos combates que o mundo e o amor de sua mãe envolviam o seu coração, ela não tinha outro refúgio ou qualquer outra força para consolar as suas tristezas, se não ir ao local onde encontrava consolação para as suas aflições e muito mais. Descreve Margarida: “Diante do SANTÍSSIMO SACRAMENTO eu me sentia tão segura e absorta, que nunca me aborrecia. Ali passaria dias e noites inteiras sem comer e nem beber, somente rezando e adorando o SENHOR, consumindo-me em sua presença como uma tocha acesa que se esvai, para retribuir-LHE o seu Divino Amor com o meu modesto, mas sincero amor”.

Margarida continuava o seu próprio aprendizado, e NOSSO SENHOR lhe fazia ver a beleza das virtudes, especialmente os três votos de pobreza, castidade e obediência, LHE dizendo que "a prática faz o Santo”. Margarida explicou: "na oração, eu LHE pedi para me tornar Santa. E como eu não li nenhum livro sobre a Vida dos Santos, disse: eu tenho de buscar a Vida de um Santo mais fácil de imitar, de modo que assim, eu poderei fazer o que o Santo fez, para também me tornar Santa. Mas o que me deixava mais triste era ver que tantas pessoas ofendiam o meu DEUS”.

 

DRAMA DE CONSCIÊNCIA

Em 1663 Margarida sofreu um rude golpe. Seu irmão mais velho, João, que tinha acabado os estudos em Charolles e estava pronto a iniciar sua carreira profissional de notário, aos 23 anos de idade teve a sua vida ceifada pela morte.

O segundo irmão, Carlos Felisberto, tendo concluído igualmente os estudos, voltou para casa. E na realidade, voltou por causa de possíveis problemas financeiros e também, porque desejava ter um lar, não queria continuar residindo no Castelo de Corcheval junto com os parentes. Por essa razão, ele e a mãe idealizaram um plano para casar Margarida, já com 20 anos de idade. A família Alacoque era bem relacionada e estimada em toda a região. E Margarida, embora não fosse rica, tinha o suficiente para um dote digno, e possuía, sobretudo, a qualidade excepcional de seu caráter, de um espírito vivo e inteligente.

A pressão que os parentes fizeram sobre a adolescente foi terrível. Escreveu Margarida: “O carinhoso amor da minha extremosa mãe vinha acompanhado de uma imposição, e sempre justificado por uma infinidade de razões: ligadas a família e aos bens materiais. Era quase uma súplica que exigia a minha colaboração. Então, comecei a olhar o mundo que não conhecia e a adornar-me para agradar, procurando divertir-me o quanto fosse possível. Entretanto, com um divertimento responsável, sem jamais ofender a DEUS”.

E assim, durante 6 anos, Margarida hesitava na escolha, permanecendo na balança sem se decidir entre os divertimentos do mundo junto com o pedido de sua mãe e o eterno Amor de DEUS. Ela não se esquecia de seu desejo de entrar na vida religiosa e por isso também, se lembrava da promessa que fez a VIRGEM MARIA, assim como, estava presente em seu coração as atenções, a proteção e o carinhoso amor revelado por DEUS em sua vida.

Sentindo-se incapaz de discernir por si própria, Margarida assumiu a intenção de auxiliar os necessitados: dedicando-se aos enfermos, ensinando catecismo às crianças, e, sobretudo, mantendo-se corajosa e aceitando voluntariamente sofrer a tirania dos parentes da família. “Decidi também me distrair com minhas amigas, entretanto, de uma maneira descente, sem ofender NOSSO SENHOR”.

Mas é interessante ouvir a Santa confessar as suas próprias tentações e fraquezas: "Eu apenas queria encontrar prazer na posse da minha liberdade pessoal." E ainda: "Eu começava a ver o mundo e a me enfeitar para me satisfazer interiormente, procurando me distrair o quanto possível, arrancando aquela dúvida de meu coração."

Margarida vivia um desagradável drama íntimo, na incerteza de como proceder: respondendo ao chamado de Deus e entrando num Mosteiro, ou atendendo aos pedidos de sua mãe, para que permanecesse no mundo, se casasse e constituísse família.

A maior pressão que sentia era da sua mãe. Isto porque, se ela se casasse e constituísse um lar, ia retirá-la daquela humilhante servidão que vivia no Castelo de Corcheval, junto com os outros familiares.

Descreve Margarida em sua Autobiografia: “Todavia, se mamãe era persistente em seus objetivos materiais, NOSSO SENHOR era persistente em sua misericórdia infinita. Numa festa de Carnaval em que participei fantasiada com algumas amigas, só para me distrair, retornando ao meu quarto e tirando aqueles malditos enfeites de Satanás, instrumentos da malícia do demônio, experimentei a imagem do meu soberano SENHOR. Triste e magoado, ELE me apareceu como na flagelação, completamente desfigurado, fazendo-me terríveis queixas: mostrando-me que as minhas vaidades o tinham reduzido àquele estado. O SENHOR disse que eu estava perdendo um tempo tão precioso, que Ele me haveria de pedir rigorosa conta à hora da morte, porque eu O estava atraiçoando e O perseguindo, mesmo depois DELE me ter dado tantas provas de amor e de me ter mostrado o seu desejo de me levar para o seu Divino Reino”.

"Ó meu DEUS, somente depois compreendi aquilo que o SENHOR me fez conhecer e experimentar, que o Vosso SAGRADO CORAÇÃO me tinha concebido no Calvário com terrível dor, e, portanto, a vida que o SENHOR me deu não podia se alimentar se não do alimento da Cruz, que será o meu precioso e delicioso manjar”.

 

VOCAÇÃO RELIGIOSA

Por razões que não nos cabe registrar aqui, o Arcebispo Doni de Attichi e o Bispo Roquette, de Autun, ambos permaneceram longo tempo sem visitar a sua Diocese. Assim, Margarida foi forçada por esta circunstância a receber o Sacramento da Confirmação (Crisma), em 1669, com a idade de vinte e dois anos, das mãos de Dom João de Maupeou, Bispo de Chalon-sur-Saône.

Mas a Providência Divina não faz nada ao acaso. Nesta época ela já não tinha mais qualquer dúvida quanto a sua decisão, em relação ao caminho de sua vida. E também, é importante realçar, que sendo justamente este, o período em que a alma de nossa Santa atravessava a tempestade da perseguição, ela foi revestida do poder do alto por uma nova efusão de graças do ESPÍRITO SANTO, através da Crisma. Mais do que nunca, ela iria precisar dessa poderosa força.

E também, NOSSO SENHOR não deixava de protegê-la e encorajá-la. Disse ela: "Uma vez eu estava me sentindo no fundo de um poço, espantada com todos os defeitos, infidelidades que eu via em mim, os quais não foram capazes de fazer com que eu fosse repelida pelo SENHOR".

JESUS me deu esta resposta: - "É porque eu quero fazer de você um composto do Meu Amor e da Minha Misericórdia".

“E outra vez ELE me disse”:

"EU escolhi você para minha esposa e NÓS nos prometemos fidelidade, quando você ME fez o voto de castidade! Foi a MIM que você se apressou em fazer, antes que o mundo existisse em seu coração. Porque EU a quero toda pura e sem estar contaminada por afeições terrestres, para mantê-la como está. Por isso, EU tirei toda a malícia de sua vontade, para que você não fosse corrompida. E depois, EU vou colocá-la aos cuidados de minha MÃE SANTÍSSIMA, a fim de que Ela faça de você conforme a Minha Imagem".

O diabo, suspeitando que aquela alma estivesse escapando dele, jogou contra ela nova carga de tentação. Margarida as indica com humildade: "Satanás me dizia continuamente”:

“Pobre miserável! O que pensas tu fazer em querer ser religiosa? Você vai provocar o riso de todo o mundo, porque você não vai perseverar. E que confusão será depois, abandonar um hábito de religiosa e sair de um convento! Onde poderá se esconder depois disso”?

Ela não conseguiu ocultar a sua ansiedade, porque não sabia como reagir. Disse Margarida: "Eu me dissolvi em lágrimas no meio de todos, e então, NOSSO SENHOR teve pena de mim, e me consolou iluminando a minha mente. Após a Sagrada Comunhão, JESUS me fez ver que ELE era o mais belo, o mais rico, o mais poderoso, e mais perfeito de todos os noivos que lhe tinham sido prometidos há tantos anos, e que agora como eu poderia querer romper tudo com ELE para me unir a outro".

Disse o SENHOR: - “Ó! Se você ME dá tanto desprezo, EU lhe abandono para sempre. Mas se você ME é fiel, EU não lhe abandonarei, e você ME entregará a sua vitória contra todos os seus inimigos. EU perdôo a sua ignorância, porque você não ME conhece ainda, mas se você ME é fiel, EU também sou fiel, e vou lhe ensinar a ME conhecer e EU vou ME manifestar a você”!

Estas foram às palavras que decidiu a vocação de Margarida. Subjugada pelo Amor de DEUS, ela agora era a escrava do SENHOR: somente dedicada a ELE! Restava saber em que ordem ela deveria entrar. Mais uma vez, novos obstáculos e novas provas. Os familiares diziam: Concordamos que Margarida se torne religiosa, mas na Casa das Irmãs Ursulinas em Macon, porque lá temos um parente. Nossa Santa pensava em concordar com a sugestão para chegar a um acordo com os familiares, mas em segredo uma voz lhe disse: "Eu não quero que você vá para lá, mas deve ir para Sainte-Marie” (O Mosteiro da Visitação Santa Maria em Paray Le Monial). Ela ficou ainda mais segura quando um dia, vendo uma pintura de São Francisco de Sales, o famoso Bispo lhe apareceu para lançar um olhar paterno, chamando-a de filha, e então, ela ficou mais confiante, convencida de que este Santo em breve ia tornar-se o seu pai religioso. São Francisco de Sales foi o fundador da Ordem do Mosteiro da Visitação. Mas, antes, ainda havia outra provação para Margarida enfrentar.

A senhora Alacoque, sua mãe, ficou doente. Recomeçaram novamente as investidas! A mãe fez todos os esforços para convencer a filha que não fosse agora para o claustro, porque se ela fosse, quem iria cuidar dela? Se a mãe morresse, Margarida seria responsável por sua morte! Por essa razão, a espera para entrar na vida religiosa ainda ia durar algum tempo.

Quando sua mãe melhorou e voltou às atividades normais, na família continuou uma disputa, para escolher o Mosteiro que ela deveria entrar! Mas, por força de orações e lágrimas derramadas, NOSSA SENHORA lhe disse: "Não se preocupe, você é minha verdadeira filha e eu vou ser sempre a sua boa Mãe". Por fim, entrou no Convento de Santa Maria. Tempos depois, já com o hábito de religiosa, ela lembrou: "no mesmo instante em que os meus familiares mencionaram o nome do Mosteiro de Paray, o meu coração se expandiu de alegria e eu consenti logo de início".

No dia 25 de setembro de 1665, faleceu quase repentinamente o seu irmão Carlos Felisberto, com a idade de 23 anos. Foi mais uma provação para a família. Agora só restava, além de Margarida, Crisóstomo e Jacques o irmão caçula da família, que queria seguir a carreira eclesiástica.

Margarida estava tão ansiosa de entrar no Mosteiro, que implorou ao seu irmão, seu acompanhante, para concluir tudo prontamente, porque ela só queria ser religiosa nesta Casa de Santa Maria.

Depois, ela escreveu na sua Autobiografia, "parecia que eu tinha uma nova vida, tanto eu me sentia contente e em paz. As pessoas não sabendo as coisas que me faziam tão feliz e o que estava acontecendo diziam : "Veja, ela tem o jeitinho de uma freira”!

– “E, na verdade, eu me cuidava com tanto esmero como nunca tinha feito antes, e muito me divertia, pela grande júbilo que sentia, de me ver tão alegre para o meu Soberano Bem".

A alma que compreende a vida religiosa é suficientemente capaz de abraçar tudo. Porque para dizer o sim, é necessário reconhecer o trabalho de preparação do ESPÍRITO SANTO. E de sua parte, deve existir uma perseverante dedicação aos estudos, ao trabalho e a oração, mantendo viva a obra de sua transformação pessoal. Somente assim qualquer criatura se sentirá livre e saberá escolher o seu caminho certo, com a voz do coração.

 

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