A GRAÇA DIVINA

 

 

 

BROTOU ÁGUA NA PEDRA

Os três Mosteiros que Bento edificou na mesma região ficavam em cima de uma montanha rochosa. Por isto, era muito penoso aos Irmãos descer a rocha todos os dias para ir buscar água lá embaixo, no lago.

Reuniram-se os Monges dos três Mosteiros e, foram conversar com o homem de DEUS, descrevendo-lhe o imenso esforço que faziam para abastecer de água os Mosteiros. Bento os consolou com brandura e os despediu.

Nesta mesma noite, acompanhado do menino Plácido, o homem de DEUS subiu o rochedo em direção aos Mosteiros, e ali orou por muito tempo. Terminada sua prece a DEUS, colocou naquele lugar onde se ajoelhou três pedras como sinal, e sem que ninguém percebesse, voltou ao seu Mosteiro.

No dia seguinte, os Irmãos dos três Mosteiros voltando à presença do Mestre Bento, a fim de apresentar algumas sugestões, a respeito das dificuldades para pegar a água, ele falou:

- “Ide e cavai um pouco o rochedo no sítio em que achardes três pedras sobrepostas. DEUS Todo-Poderoso pode fazer brotar água até naquele cume de montanha, para vos poupar o cansaço da caminhada”.

Eles ficaram admirados com as palavras do Pai Bento, mas em silêncio, e seguiram para o local indicado por ele. E que grande surpresa! Lá chegando já encontraram um veio de água gotejante. Quando cavaram um buraco com as mãos, rapidamente ele se encheu de água, brotando com tanta abundância, que ainda hoje corre  naquele local, uma preciosa água cristalina em quantidade .

 

MAURO CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS.

Um dia, quando o venerável Bento estava na cela, o jovem Monge Plácido, saiu para transportar água do lago para o Mosteiro. Quando, porém, mergulhou na água a vasilha que segurava, procedeu de maneira tão desajeitada, que ele também acabou caindo no lago junto com a vasilha e tudo. E não sendo um lago totalmente fechado, havia um manancial que entrava por um lado e saía do outro bem lá na frente, fazendo com que as águas se movimentassem com força. Então, a correnteza logo puxou o jovem para o meio do lago, a uma distância da margem de quase cinquenta metros. O homem de DEUS, embora estando na sua cela, no mesmo instante recebeu interiormente a notícia do acidente e depressa chamou o Monge Mauro, dizendo: “Irmão Mauro, corre, pois o menino que foi buscar água caiu no lago e já está longe, levado pela correnteza”.

Tendo pedido e recebido a bênção, Mauro saiu ligeiro movido pela ordem do Pai Bento, e nisto insensivelmente correu sobre as águas, pensando que ia por terra, até o ponto onde se encontrava boiando e lutando contra as águas, o jovem Plácido. O agarrou pelos cabelos e voltou rapidamente pelo mesmo caminho, ou seja, sobre as águas, sem perceber que tudo acontecia daquele modo.

Logo que pisou a terra, voltando a si, olhou para trás e então compreendeu que havia realmente corrido em cima das águas. E, como não podia imaginar que isto de fato tivesse acontecido, cheio de admiração percebeu que se tratava de uma intervenção Divina.

Voltando ao Pai, ainda assustado e perplexo lhe contou o sucedido. O venerável Bento com toda a modéstia do seu santo coração atribuiu o fato não aos seus próprios méritos, mas à obediência de Mauro. Este, porém, replicando, dizia que lá tinha ido socorrer o jovem devido somente ao mandado do Pai, e que não tinha consciência daquele prodígio, que sem saber praticara. Nessa amistosa contenda de humildade sobreveio como árbitro o menino que fora salvo, o qual assim falou: “Quando eu era arrancado das águas, via sobre minha cabeça a melota (pele de carneiro) do abade, e o contemplava ao me tirar das águas”.

 

CONSTRUÇÃO DE UM MOSTEIRO

Os Monges edificavam uma parede da obra, enquanto o Mestre Bento permanecia em orações na sua cela. De súbito, ao lado da sua mesinha lhe apareceu o “abominável inimigo”, que como sempre, insultou-o com palavras de baixo calão e fez ameaças, dizendo que ia à obra onde estavam trabalhando os Monges. Assim que o “bicho” desapareceu, Bento chamou um mensageiro e mandou que ele fosse a obra e transmitisse suas palavras aos Irmãos que trabalhavam, dizendo:

- “Irmãos, agi com cautela, pois o espírito maligno acabou de me dizer que estaria aí”.

Mal o que levava a mensagem chegou a obra, satanás acabava de derrubar a parede em construção, exatamente em cima de um jovem Monge que a construía. Todos consternados e cheios de aflição pelo esmagamento do Irmão correram a contar o fato ao venerável Pai Bento. O Santo ordenou que trouxessem o corpo dilacerado do rapaz, pois as pedras da parede lhe tinham triturado não só os membros, mas também os ossos. Trouxeram e o rapaz foi colocado sobre a esteira onde Bento costumava rezar. Despediu todos os Monges, fechou a porta e se debruçou em orações durante um longo tempo. Coisa admirável! De repente, o rapaz se levantou são e disposto e o Abade o enviou novamente ao trabalho na obra que faziam.

 

OS GODOS

No tempo do Godos, pelo ano 503/504, o Rei Tótila teve notícias sobre o Mestre Bento, que tinha o espírito da profecia, e por essa razão dirigiu-se ao Mosteiro para conhecê-lo. Todavia, decidiu parar a certa distância e mandou anunciar a sua chegada. Imediatamente veio a resposta de que ele podia entrar. Tótila, que sempre foi muito desconfiado e tinha um espírito traiçoeiro, cuidou de explorar para ver se realmente o homem de DEUS possuía o espírito da profecia. Chamou Rigo, um dos seus guardas e lhe vestiu com as roupas reais, para se apresentar diante do Santo, como se fosse o Rei. Para acompanhá-lo o Rei Godo organizando o séquito destacou três Condes mais chegados a ele: Vulterico, Ruderico e Blidino. A seguir vinha o restante da comitiva real. E assim, Rigo com os trajes reais e acompanhado de numeroso cortejo entrou no Mosteiro. O homem de DEUS sentado a distância, ao vê-lo, falou:

- “Deixa, filho, deixa tudo que trazes. Isto não é teu”.

Rigo caiu por terra esmagado pela vergonha, e encheu-se de pavor por ter procurado enganar o homem de DEUS. Também os que vinham com ele quase desmaiaram sem saber o que fazer, e não tiveram a ousadia de se aproximar do Mestre Bento, voltaram ao seu Rei e apavorados contaram que foram logo descobertos pelo Santo a uma distância ainda longe.

Então Tótila meio sem graça e sem jeito, foi se encontrar com o Mestre Bento. Entrando no salão do Mosteiro, ainda longe, viu o homem de DEUS sentado numa cadeira comum. Não ousou se aproximar e com humildade, prostrou-se por terra. Bento o chamou por duas vezes, mas o Rei Godo não se dignou encaminhar até o homem de DEUS. Então Bento foi ao encontro dele e ajudou-o a se levantar, censurando as suas más ações. Depois olhando para Tótila que se mantinha sério e circunspecto, em poucas palavras disse duas predições que iam acontecer:

- “Tem realizado muitas coisas más e já cometestes muitos males. Já é tempo de acabar com a iniquidade. Na verdade, entrarás em Roma, atravessarás o mar, reinarás 9 anos e no décimo ano morrerás”.

Ouvindo isto o Rei encheu-se de terror e, após pedir as orações do Santo, despediu-se e foi embora. A partir deste tempo começou a ser menos cruel. Tudo aconteceu como Bento anunciou: poucos dias depois entrou em Roma, e em seguida, passou a Sicília, e no décimo ano do seu reinado, perdeu o reino e a vida. Então a primeira predição se realizou integralmente.

O Bispo Canúsio, que tinha um bom relacionamento de amizade com o Santo, costumava visitá-lo. Um dia, em que conversavam sobre a entrada de Tótila em Roma e a ruína da cidade, o Bispo falou: “Pela maldade desse rei a cidade será de tal modo destruída que jamais será habitada”. Ao que o homem de DEUS falou, revelando a segunda predição:

- “Roma não será destruída pelos gentios, mas será devastada por tempestades, raios, tormentos e terremotos, definhando por si mesma”.

E de fato tudo isto aconteceu a Roma, conforme a previsão do Santo.

 

CAMPONÊS LIBERTADO

Ainda no tempo de Tótila, Rei dos Godos, um de seus sequazes de certa patente, chamado Zola, partidário da heresia ariana (que negava a Divindade de JESUS CRISTO), usava de tão grande crueldade contra os fiéis da Igreja Católica, que nenhum Clérigo ou Monge escapava vivo se encontrasse com ele. Certo dia afligiu a um católico camponês cruel tormentos, rasgando o corpo do homem com diversos suplícios, querendo saber daquele pobre trabalhador o que tinha feito dos seus bens, pois pensava em se apoderar dos mesmos. Vencido pelos sofrimentos, o homem acabou dizendo que havia depositado tudo nas mãos do servo de DEUS, Bento. E fez isto, imaginando que o carrasco acreditando nas suas palavras o deixasse em paz. Zola realmente parou de maltratar o camponês, mas amarrou os seus braços com fortes correias e o obrigou a caminhar na frente do cavalo que montou, conduzindo-o até o Mosteiro, aonde se encontrava o Mestre Bento. Lá chegando, o homem de DEUS estava sentado numa cadeira à porta do Mosteiro, lendo. Então o camponês disse a Zola: “Eis ai o Pai Bento, de quem lhe falei”. Zola, com toda ignorância e estupidez, gritou: “Levanta-te. Vamos, levanta-te e devolve os bens que recebeste deste camponês”. Ao grito daquela voz asquerosa, o homem de DEUS ergueu os olhos do livro, encarou Zola e olhou o camponês que continuava amarrado. Mas, apenas pousou os olhos nos braços amarrados daquele pobre homem, as correias que prendiam os seus braços começaram a se desamarrar, de modo tão maravilhoso e com tanta rapidez, que libertou o camponês em poucos segundos causando grande admiração. Zola diante de tão grande poder ficou estarrecido e caminhou até onde estava Bento, caiu ao chão e inclinando a cabeça sobre os pés do Santo, suplicou as suas orações. Bento continuou tranquilamente a sua leitura, mas chamou os Monges e os recomendou, que desse um pouco de pão bento ao visitante. Quando Zola voltou, o Santo o admoestou a não ser tão cruel e procurar ser uma pessoa sensata. Zola agradeceu e se despediu e o camponês voltou para a sua casa.

 

O RESSUSCITADO

Certo dia, tendo o homem de DEUS saído com os Irmãos para trabalhos no campo, veio um camponês correndo a sua procura todo aflito e, trazendo nos braços o corpo do seu filho morto. Quando lhe disseram que o Pai Bento estava no campo com os Irmãos, sem perda de tempo, colocou o corpo do filho em frente à porta do Mosteiro e, angustiado pela dor, correu em busca do venerável Pai.

Aconteceu que Bento já voltava com os Irmãos e apenas o camponês ofegante e afobado se aproximou do Santo, foi dizendo: “Devolve meu filho! Devolve meu filho!” O Santo parou ao ouvir aqueles nervosos clamores, e perguntou: “Acaso te tirei o teu filho?” O camponês ainda ofegante, disse: “Ele morreu. Vem, ressuscita-o, por favor.” Ouvindo estas palavras, o servo de DEUS ficou muito triste, e disse: “Retirai irmão. Saí daqui. Tal poder não compete a nós, mas aos Santos de DEUS. Por que querer nos impor um peso além da nossa capacidade, e o qual não se pode suportar?” Mas o camponês não sossegou impelido pela profunda dor da morte do filho, persistiu no pedido, jurando que não se retiraria dali, sem que Bento lhe ressuscitasse o filho. O servo de DEUS perguntou: “Onde ele está?” O camponês respondeu: “Coloquei o corpo à porta do Mosteiro”.

Quando Bento lá chegou com os Irmãos, prostrou-se com os joelhos no chão e se debruçou sobre o corpinho da criança sem vida. Erguendo-se, depois de alguns minutos, estendeu as mãos para o Céu e disse: “SENHOR, não consideres os meus pecados, mas a fé deste homem que suplica lhe seja ressuscitado o seu filho. Por isso, meu DEUS, eu LHE peço restitua a este corpinho a alma que tiraste”.

Mal terminara a oração, o corpinho inteiro da criança estremeceu, revelando que ganhava vida, que a alma tinha voltado. Todos que ali estavam, cheios de admiração, presenciaram o fato. Bento então agarrou as mãozinhas da criança e a devolveu ao pai que estava repleto de alegria, com o rosto inundado pelas emocionadas lágrimas que cobriam a sua face.

 

 

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