A Eucaristia tem dois importantes significados: a Sagrada Eucaristia como Comunhão Eucarística, Comunhão Fraterna ou Ceia do Senhor, alimento espiritual que revigora, inspira e impulsiona a vida da humanidade, e também, como Ação de Graças, sendo denominada de Santa Eucaristia ou Santa Missa. Na verdade a palavra Eucaristia tem o significado de “ação de graças a Deus”.

Como Ação de Graças, a Santa Eucaristia ou Santa Missa é o memorial da Paixão, Morte e Gloriosa Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“A Páscoa dos Judeus”.

Deus criou tudo o que existe numa manifestação espontânea e misericordiosa de seu incomensurável e infinito Amor. Ele criou a humanidade a sua imagem e semelhança, dotando-a de inteligência e dons especiais. Todavia no primeiro teste de fidelidade os nossos primeiros pais sucumbiram sob a ação da tentação do maligno, cometendo o Primeiro Pecado, um Pecado de Desobediência e de Soberba. O Livro do Genesis da Sagrada Escritura descreve o primeiro pecado e os pecados que logo se sucederam, mostrando que a humanidade foi infiel ao Criador, caindo na escravidão do inimigo e perdendo a amizade de Deus.

Todavia, o Senhor não deixou de manifestar a sua ilimitada Bondade, prometeu que viria Alguém que podia vencer o inimigo e restabelecer a amizade entre as criaturas e o Criador. Este fato do estabelecimento de um novo pacto de amizade entre Deus e a humanidade, foi prefigurado na história do povo escolhido.

A certa altura dos acontecimentos, o povo de Israel vivia uma situação de escravidão e sofrimento no Egito. Então, Deus se manifestou visivelmente, libertando o povo da escravidão e o conduziu através do Mar Vermelho e pelo deserto, até a Terra Prometida.

Como lembrança, os judeus criaram a Festa em homenagem a este fato, constituindo a Páscoa Judaica, com o significado que marcava a passagem do povo de Israel da escravidão para a liberdade, conduzido pela mão poderosa de Deus.

Fazendo parte dos festejos da Páscoa os judeus também comemoram um segundo acontecimento importante, na caminhada pelo deserto à Terra Prometida: foi à chegada ao Monte Sinai, onde Moisés recebeu as tábuas da Lei.

Então, todos os anos, na época da Páscoa os piedosos judeus celebravam por ordem de Deus os dois acontecimentos. Com o rito da imolação do cordeiro e os pães ázimos, eles recordavam o grande acontecimento da libertação do Egito e da Aliança no Sinai, assim como a entrada na Terra Prometida.

Dessa forma, teríamos então o seguinte esquema para a comemoração do Rito da Páscoa Judaica:

O pão ázimo, sem fermento, pela ação de graças, comemora a páscoa da libertação do Egito. O cálice, pela ação de graças, comemora a páscoa da Aliança do Sinai.

Não devemos esquecer que o rito não era uma mera lembrança dos fatos acontecidos, mas uma renovação e uma representação. Eles recordavam o passado, a libertação do povo que estava escravizado no Egito e a aliança com Deus.

Contudo, é importante mencionar, que em cada festa da Páscoa Judaica, os hebreus esperavam que acontecesse uma Nova Aliança com Deus. Eles esperavam a expansão do Reino de Javé não só sobre os israelitas, mas sobre todo o mundo. Esperavam mesmo que o Messias devia ser um grande guerreiro, poderoso e forte, que viesse durante a celebração da Páscoa. A Sagrada Escritura relata que os Profetas e Mensageiros Divinos pregavam com ênfase sobre o tão esperado acontecimento.

“Jesus, a Páscoa Verdadeira”.

Na plenitude dos tempos Deus não falou mais pelos Profetas e Mensageiros, Ele mesmo veio na Pessoa de seu Filho: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. (Jo 1, 14)

Ele não veio abolir o Antigo Testamento e nem interromper o Plano Divino de Salvação estabelecido no Sinai. Veio completá-lo, realizando-o plenamente.

O Novo Testamento descreve de modo inquestionável e brilhante a extraordinária Obra do Senhor.

Assim, a morte e ressurreição de Cristo são a verdadeira Páscoa, que liberta a humanidade do pecado, reconciliando-a com Deus, realizando assim a Nova e Eterna Aliança do Senhor com todas as gerações.

A descrição da Última Ceia feita por São Lucas (Lc 22,14-18), nos revela que Jesus começou a Ceia celebrando a Páscoa Judaica, sem contudo dar-lhe um realce especial.  No momento oportuno Ele instituiu o novo rito, mandando que fosse renovado em sua memória:

“Tomando o pão, deu graças, partiu-o e lhes deu, dizendo: Isto é o meu Corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de Mim”. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: “Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue, que é derramado em favor de vós”. (Lc 22, 19-20)

Cristo é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, a ser imolado para servir de alimento e de sinal da verdadeira passagem de Deus entre nós, pela qual se realizou a libertação do gênero humano.

Existe, porém, uma diferença essencial. Outrora o povo judeu era aspergido com o sangue do cordeiro, ao passo que Jesus sendo à vítima perfeita, Ele dá de beber o seu próprio sangue, pois por sua morte não somos apenas lavados dos nossos muitos pecados, mas fomos constituídos em verdadeiro povo de Deus, revestidos do poder sacerdotal do próprio Cristo.

Portanto, para perpetuar sua passagem pelo mundo, para que a humanidade de todos os tempos pudesse participar de sua Divina Obra, Jesus instituiu o novo rito, a nova Páscoa, a Páscoa Cristã, com as palavras:

“Fazei isto em memória de Mim”. (Lc 22, 19) Ou segundo São Paulo: “Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes deste cálice, vós anunciarão a morte do Senhor até que Ele venha”. (1 Cor 11, 26)

Por esta memória objetiva realizada sob os sinais sacramentais do pão e do vinho, sempre se torna presente o Mistério da Paixão, Morte e Gloriosa Ressurreição do Senhor, para que todos que crêem possam participar deste Mistério. Pela memória, a Igreja faz o que Jesus fez, isto é, dá graças a Deus sobre o pão e o vinho pelo Plano de Salvação da humanidade e pela Obra maravilhosa do Criador, realizando desta forma com Cristo a passagem deste mundo para o Pai Eterno.

“Comunhão Eucarística ou Ceia do Senhor”.

Como Sagrada Comunhão a Eucaristia celebra-se em forma de ceia, do mesmo modo como Jesus fez antes de ser entregue. Esta forma Ele a transmitiu à Igreja para que fosse repetido em memória de sua morte e ressurreição. O Concílio Vaticano II diz:

“A Eucaristia é o memorial de sua Morte e Ressurreição, sacramento de piedade, sinal de unidade, vinculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é comunicado o penhor da futura glória”.

Então, a Sagrada Comunhão é o Sacramento instituído pelo Senhor na noite da Quinta-feira Santa, durante a Última Ceia que realizou em companhia dos Apóstolos, no Cenáculo, em Jerusalém. Jesus ordenou: “Fazei isto em memória de Mim”. (Lc 22, 19)

Cristo, a vítima perfeita, se ofereceu a Si Mesmo ao Pai Eterno, morrendo crucificado entre dois ladrões. Seu precioso Sangue derramado na Cruz lavou a alma de todas as gerações, infundiu na humanidade a graça santificante através dos Sacramentos e consolou o Criador por causa do Pecado Original e dos Pecados Subsequentes. Na Santa Missa acontece exatamente a repetição do drama do Calvário, mas sem derramamento de sangue. No momento da Consagração, na Santa Missa, sob a ação do Espírito Santo, acontece o fenômeno sobrenatural da “transubstanciação” , o pão e o vinho são transformados no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo o mesmo aspecto externo das espécies de pão e vinho.

Significa dizer que a Sagrada Eucaristia, ou Santíssimo Sacramento, é o próprio Jesus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, que em ação de graças, durante a Comunhão, Ele mesmo se dá na menor fração da Hóstia Consagrada, como comida e bebida espiritual, para a salvação da humanidade.

“A Eucaristia representa”:

- O permanente Sacrifício da Nova Lei, mantendo viva a Aliança que Deus fez com toda humanidade.

- É alimento espiritual para a nossa alma.

- É uma perpétua comemoração da Paixão, Morte e Gloriosa Ressurreição do Senhor Jesus.

- É um testemunho do verdadeiro e infinito Amor de Deus por todos nós.

- É garantia, é penhor de vida eterna. Jesus disse: “Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele”. (Jo 6, 56)

“São três os aspectos fundamentais que acontecem na Celebração de uma Santa Missa”:

a)    A presença real e verdadeira do Senhor.

b)    O memorial do Sacrifício de Cristo e da Igreja.

c)    A Comunhão com Cristo e os irmãos.

“A Primeira Eucaristia”:

Para os Adultos, a preparação é feita em conjunto com a catequese para a recepção dos Sacramentos do Batismo e da Crisma, na mesma cerimônia. A duração da catequese pode ser de um ou mais anos, de acordo com as normas Diocesanas. Para a Primeira Eucaristia das Crianças, é necessário que elas sejam Batizadas e que tenham recebido a catequese apropriada na Paróquia que frequentam.

“Receber dignamente Jesus Sacramentado”:

Deve existir nos fieis uma necessária preocupação em se preparar intimamente para receber Jesus Sacramentado durante a Santa Missa. É necessário que o fiel esteja em “estado de graça”, ou seja, esteja perdoado e arrependido de todos os seus pecados e transgressões, para receber com dignidade o Santíssimo Sacramento.

No caso do Batismo, o Sacramento é forte e tem o poder dado por Jesus, para perdoar e apagar todos os pecados cometidos anteriormente pelo batizando, até aquele dia (caso dos Adultos). Mas se o Jovem ou Adulto já estão Batizados, para receberem a Primeira Eucaristia eles devem, como bons cristãos, compreenderem a necessidade imperiosa de uma cuidadosa preparação, inclusive procurando o Sacramento da Penitência ou Confissão, se for o caso, de forma a se confessar com o sacerdote e se arrepender e se penitenciar dos seus pecados, alcançando do Espírito Santo de Deus, através das orações do sacerdote, o perdão Divino, e o consequente “estado de graça”, necessário e imprescindível para receber Jesus, com respeito e amor na Sagrada Comunhão.

Não se compreende e não existe outro meio para receber o Senhor Deus com honestidade, devidamente arrependido e penitenciado de todas as culpas.

O fato de uma pessoa receber na Santa Missa a Sagrada Comunhão, sem estar devidamente arrependida de seus pecados, sem estabelecer íntimamente o firme propósito de não mais cometê-los, ela não se encontra em “estado de graça” , e por isso mesmo, constitui uma transgressão gravíssima que deve ser evitada. Explicando melhor, existem pessoas que, para satisfazerem sua vaidade pessoal, ou para se justificarem exteriormente perante os parentes, amigos e conhecidos, ou as vezes, querendo passar uma impressão de piedosa ou devota praticante e fiel, entram na fila e recebem a Sagrada Comunhão sem a devida e necessaria preparação anterior; isto é um verdadeiro sacrilégio. Na verdade elas só recebem uma partícula de trigo e água e não o Senhor na Sagrada Eucaristia. Isto porque, sem estar preparada, ela está se iludindo a si própria, na verdade não conseguirá receber Jesus Sacramentado, o Divino Espírito Santo não permitirá em hipótese nenhuma, que pessoas que não estejam preparadas recebam Deus.

Sendo este um assunto muito sério, que envolve a paz espiritual e a própria vida das pessoas, deve ser meditado e analisado criteriosamente por todos os fieis que amam o Senhor, porque não pode e não deve existir uma vulgarização do Sacramento da Eucaristia, mesmo que seja involuntária, lembrando que a Sagrada Comunhão é o próprio Deus, é Jesus real e presente, em Corpo Sangue, Alma e Divindade, sob a espécie de pão e vinho, que está disponível em todos os sacrários para a vida do mundo. Lembre-se, cometer um pecado contra a Sagrada Eucaristia é buscar a própria condenação eterna.

 

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