“DOENÇA E MORTE”

 

 

DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA

Em 1620, no último ano de sua vida, escreveu com seu próprio sangue um voto em defesa da “IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA”. Esse belo documento se conserva num Relicário de vidro no Colégio São João Berchmans em Bruxelas, na Bélgica. Esta afirmação veemente do Santo serviu no futuro de inspiração ao Papa Pio IX, que lendo e meditando sobre os dizeres do texto, justamente dois séculos depois de João ter escrito aquelas preciosas e verídicas afirmações, determinou a proclamação do “Dogma da IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA”.

E por outro lado, ele tanto amava NOSSA SENHORA que se manifestava assim:“Se amo MARIA, nossa MÃE SANTÍSSIMA, estou seguro da minha salvação, de minha perseverança no estado religioso, e obterei de meu DEUS tudo o que desejo”.

 

TERRÍVEL DOENÇA DO PULMÃO

Todavia a sua saúde decaía verticalmente. Ele lutava como um leão para salvar as aparências. Nos estudos continuava firme, estudando e demonstrando conhecimento. Mas não tinha maior vigor. Os colegas e os professores observavam com bastante preocupação.

E assim, completamente debilitado interiormente, no mês de Julho prestou com o maior esforço todos os estudos, conseguindo um grande êxito no exame conclusivo do ano de filosofia. E seu êxito foi tão grande, que em princípios de Agosto, designado pelos superiores, que até então, nada haviam suspeitado sobre a sua doença, e o mandou, representando o Colégio Romano na defesa de sua tese, apresentando-a no Colégio Grego. E procedeu com tanto brilho que causou total admiração ao auditório, que com muita surpresa e perplexidade o aclamou generosamente. Mas João não estava bem, na volta para o Colégio, foi acometido de uma violenta febre. O Padre Reitor o enviou imediatamente para a enfermaria de onde nunca mais saiu.

 

VINDA DO MÉDICO

No dia seguinte, em 6 de agosto de 1621, João continuava com febre alta. O Padre Reitor mandou chamar o médico, que veio imediatamente. As esperanças de vida foram se perdendo com o passar das horas. O médico chegou e imediatamente foi examiná-lo. Descobriu nele uma inflamação pulmonar irrecuperável. Ele já estava ficando sem forças.

 

MORTE DO JOÃO

Como é natural, reinava grande inquietação no Colégio Romano, porque de certa maneira, todos foram surpreendidos, e assim, ficaram muito apreensivos e comovidos com o estado da saúde de João. No dia 10 de Agosto agravou-se o seu problema. As pessoas preocupadas o visitavam, mas não o encontravam abatido por causa da doença, ao contrário, estava de certa forma feliz, e a todos que o visitava lhes falava das alegrias do Céu. No dia 11, ainda de madrugada, por recomendação do Padre Reitor, lhe foi ministrado o Santo Viático. Passou o dia rezando e conversando com aqueles que vinham visitá-lo. No dia 12, começando anoitecer, ele começou a ficar muito agitado e inquieto, inclusive reagindo com firmeza: “Não! Não! Não farei isso jamais... Fora satanás!” Como se estivesse discutindo com o terrível animal das trevas. Todos os presentes, preocupados redobraram as orações, e aspergiram água benta nele e em todo o leito. Era o verdadeiro mistério da luta final. Ele se tranquilizou e empunhando o Rosário e o Crucifixo, disse: “Estas são as minhas armas”. Dia 13 de Agosto ele estava mais calmo. O padre Reitor chegou, cumprimentou-o e lhe perguntou se necessitava de alguma coisa. Ele agradeceu e disse que estava tudo bem. Naquele horário matinal o senhor Reitor precisava sair para celebrar uma Santa Missa. Abaixou-se e bem próximo do ouvido dele, disse: “Rogo-lhe que não morra antes do meu retorno”. Ele fez um ligeiro sorriso, e o Reitor partiu. João permaneceu tranquilo no leito, com Terço nas mãos, o livrinho com a Regra dos Jesuítas ao lado do travesseiro e segurando o Crucifixo ao lado da sua face. Quando o Reitor regressou, ele manifestou alegria e pediu a todos para rezarem a Ladainha de NOSSA SENHORA. E chegando quase ao final da Ladainha, inclinou a cabeça com os olhos fixos no Crucifixo; fechou-os suavemente e seu espírito subiu ligeiro para a eternidade. Eram 8h30 da manhã do dia 13 de Agosto de 1621. O jovem João Berchmans faleceu com 22 anos de idade.

 

OS FIÉIS VIERAM

Uma grande quantidade de fiéis foram se despedir dele no Colégio Romano. Enquanto providenciavam uma veste nova para ele, sua batina foi dividida em quase uma centena de pedaços, precioso “souvenir” que o povo feliz levou para casa.

 

João foi um belo exemplo de como viver alegremente no SENHOR; ele teve também preciosas experiências místicas e foi tocado pela graça Divina, mas na verdade, o que mais o caracterizava era a sua profunda compaixão com o próximo, e primordialmente, a sua carinhosa e ardente devoção à Sagrada Eucaristia e à SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA.

 

SEPULTAMENTO

Foi sepultado na Igreja Romana de Santo Inácio de Loyola, na Capela SS. Annunziata. Uma relíquia com uma parte do seu coração foi levada para Louvain, permanecendo num magnífico deposito de vidro, numa Igreja Jesuíta, dedicada a São Miguel de Lovânio.

 

BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO

João Berchmans foi “BEATIFICADO” no dia 9 de Maio de 1865, pelo Papa Pio IX, no Vaticano. No dia 15 de Janeiro de 1888, foi “CANONIZADO” pelo Papa Leão XIII, também no Vaticano, com a presença de muitos fiéis. Suas relíquias repousam numa magnífica tumba na Igreja de Santo Inácio, em Roma, junto aos Santos de sua devoção durante a sua vida: São Luiz Gonzaga e Santo Inácio de Loyola.

 

SUA MEMÓRIA

Sua memória litúrgica era celebrada em 26 de novembro, mas em 1969, o Papa Paulo VI a transferiu para o dia 13 de agosto.

 

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