“CASAMENTO DIVINO E MORTE”

 

ESPONSALÍCIO MÍSTICO DE JESUS COM VERÔNICA

No mês de Abril de 1694, durante a Semana Santa, na manhã do Sábado Santo dia 10, o SENHOR lhe apareceu todo glorioso, e a convidou para as núpcias na manhã do dia seguinte, domingo dia 11 de Abril, mostrando-lhe ao mesmo tempo o lindo anel nupcial. (Pensou Verônica) “Pareceu-me que o SENHOR me dava uma nova regra de vida, sendo mais austera, silenciosa, fazer tudo com pureza de intenção, ser amante das Obras Divinas, devia fugir aos louvores humanos, amar o desprezo e a mortificação, ser fiel amante da Cruz tendo-a sempre a mão, como escudo poderosíssimo, conservando-me inteiramente crucificada, e sempre, praticando tudo o que for mais perfeito”.

Apareceu a excelsa Rainha dos Anjos, em trono magnífico, tendo ao seu lado Santa Catarina de Senna e do outro lado Santa Rosa de Lima, na expectativa da realização das Núpcias, na manhã seguinte, Domingo 11 de Abril.

No dia seguinte, durante a manhã Verônica estava com o coração alegre e feliz e abrasado num fogo Divino, em suspense, aguardando o momento do “esponsalício”. Ao se aproximar para receber a Sagrada Comunhão Eucarística, primeiro ouviu os Anjos cantarem suavemente a melodia: “Veni, Sponsa Christi”,(Vem Esposa de CRISTO). Depois, arrebatada dos sentidos, viu dois tronos magníficos ornado com formosíssimas pedrarias preciosas, todo de ouro, no qual estava sentado NOSSO SENHOR, com as chagas mais resplandecentes que o sol. O outro trono era formado de alvíssimo alabastro e ornado com lindas jóias, onde estava sentada a Divina MÃE DE JESUS, coberta com um cândido e precioso manto. Era imensa a multidão celeste presente. Do meio da multidão, se adiantaram Santa Catarina de Senna e Santa Rosa de Lima. Elas conduziram Verônica com passos lentos para junto dos tronos, que estavam um ao lado do outro, e à medida que caminhavam e se aproximavam, iam revestindo Verônica com diversas vestes, cada uma mais preciosa e mais bonita que a outra, colocadas por cima do Hábito Religioso. Assim, aproximando-se do trono de JESUS, ela viu nas Chagas das Mãos e dos Pés DELE, belíssimas jóias. A Chaga do Lado de JESUS estava aberta e dela saia uma grande quantidade de raios mais luminosos que o Sol. Nessa chaga lhe pareceu ver o Anel Nupcial, onde teria querido se lançar para habitar permanentemente. O SENHOR levantou a mão para abençoá-la e com benigno aspecto disse: “Veni Sponsa CHRISTI”!E MARIA SANTÍSSIMA, acompanhada pela multidão celeste continuou com o restante da frase: “Accipe coronam quam tibi Dominus paeparavit in aeternum”.(Vem Esposa de CRISTO, pegue a Coroa que o SENHOR preparou para você para sempre).

Nesse momento Santa Catarina começou a tirar as vestes que tinham colocado, deixando-a somente com o Hábito Religioso."Imagino que essa cerimônia teve o objetivo de evidenciar a preciosidade do Hábito Religioso" . Em seguida o SENHOR fez um sinal a NOSSA SENHORA, para que vestisse Verônica com a veste nupcial, a qual consistia num manto coberto de jóias, formando diversas cores. MARIA SANTÍSSIMA entregou a Santa Catarina, que revestiu Verônica com ele, e a colocou entre os dois tronos de JESUS e NOSSA SENHORA. A Irmã viu que o SENHOR retirou de seu dedo o Anel Nupcial e entregou a NOSSA SENHORA SUA MÃE. O Anel era lindo e resplandecente. Parecia feito de ouro e também era esmaltado, e o esmalte formava na pedra o nome de JESUS. Então a MÃE DE JESUS deu ordem a Verônica que estendesse a mão direita para Santa Catarina, e tendo ela atendido, o SENHOR tocou a SUA MÃO na dela. Nesse momento disse Verônica: “Senti uma união mais íntima com ELE”. Então “JESUS e SUA MÃE SANTÍSSIMA colocaram o anel no dedo anular de Verônica e o SENHOR benzeu-o”.

A linda cerimônia chegava ao fim com uma calorosa salva de palmas da multidão emocionada.

 

A TENTAÇÃO DIABÓLICA

O demônio cheio de ódio contra Verônica, vendo-a tão estreitamente unida a JESUS, sempre buscava preparar um ardil com todo requinte de perversidade, para torná-la infiel ao SENHOR. O bandido chegou ao máximo de se revestir da imagem humana de Verônica e em companhia de outros demônios jovens terríveis e licenciosos, prepararem demonstrações abomináveis, que enchiam de aborrecimentos o pudor e a própria natureza. Heroicamente ela resistiu a tudo com firmeza, com total indiferença e muita personalidade.

 

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

Em Março de 1696, com objetivo de ampliar a sua força de concentração espiritual, fez com bastante competência, os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, também com o objetivo maior de purificar cada vez mais a sua alma, fortalecendo-a contra os ataques diabólicos.

 

AS MUITAS ENFERMIDADES

Suas companheiras religiosas contam em diversas partes do processo canônico, as frequentes e asperíssimas enfermidades que envolveram Verônica e lhe provocaram grande sofrimento no corpo, no decurso da sua vida; eram enfermidades que ordinariamente os médicos não conseguiam determinar as causas e, por conseguinte, não sabiam achar os remédios apropriados para combater o mal em cada caso, mas para admiração e espanto de todos, as enfermidades sempre acabavam com uma cura inesperada e prodigiosa, de maneira que no Convento, entre as Irmãs, Verônica ganhou uma fama especial: “Verônica vivia unicamente por Milagre Divino”.

 

FINAL DA SUA IMPRESSIONANTE EXISTÊNCIA

Dia 8 de Julho de 1727, depois de uma longa agonia, como verdadeiramente ela sempre desejou, concluindo de modo perfeito e completo a purificação da sua alma, para o seu encontro definitivo com o “Esposo Crucificado” , teve a quarta visita do senhor Bispo que a acompanhou com atos de fé bem intensos e perfeitos, realizado com mais esperança e caridade. Depois ela pediu ao senhor Bispo, a Bênção Pastoral e a Bênção Pontifícia “in articulam mortis”, que ele lhe conferiu benignamente. Depois o senhor Bispo se despediu, e entrou em seguida, também para lhe dar uma Bênção Especial, o Padre Confessor da Ordem do Santíssimo Rosário e das Sete Dores (de NOSSA SENHORA). Durante todos os encontros, ela se mostrou tranquila, mas sempre segurando com a mão direita, carinhosamente e com firmeza o SENHOR CRUCIFICADO.

 

Olhando o Crucifixo que tinha sempre consigo, ao qual chamava “O Porteiro do Coração”,lhe serviu também de grande alívio em seus acerbos martírios, fato que manifestou claramente numa ocasião em que chamando junto a si algumas jovens, disse: “Vinde aqui: o AMOR fez-SE presente! Este é o motivo do meu penar: dizei-o a todos”.

Ao anoitecer entrou em agonia, perdendo a fala. O Padre Confessor fez-lhe a encomendação de costume, sendo as orações acompanhadas por todas as religiosas, que se mantinham presentes. Durante o tempo de agonia que foi de três horas, não deu nunca o menor sinal de agitação ou perturbação. Pela madrugada, observando o Confessor que pouca vida lhe restava, lhe disse: “Alegrai-vos Irmã Verônica, pouco falta para chegardes àquilo que tanto tendes desejado”. Ouvindo estas palavras, deu mostras de imensa alegria. Por fim, o Confessor animando-se de uma viva fé em DEUS, aproximou-se dela e disse: “Irmã Verônica, se for do agrado do SENHOR ir gozá-LO, e também se for agradável à Divina Majestade DELE que para essa passagem intervenha também a ordem de SEU Ministro, eu vo-la dou”. Apenas ele pronunciou estas palavras, ela baixou os olhos em sinal de submissão; depois, volvendo o olhar sobre as suas filhas presentes como para se despedir delas e também lhes conceder a sua bênção. Em seguida, baixou finalmente a cabeça e exalou o último suspiro. Sua alma bem-aventurada voou ao Céu para o seio do “Seu Amado, o SENHOR CRUCIFICADO”. Eram 3 horas e 15 minutos da madrugada de sexta-feira, dia 9 de Julho de 1727, tendo ela 67 anos de idade, cinquenta anos de profissão religiosa e onze anos como Abadessa do Convento.

 

BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO

Ela foi “Beatificada”, no dia 17 de Junho de 1804, no Vaticano, pelo Papa Pio VII (14/Março/1800 - 20/Agosto/1823).

E foi “Canonizada”, no dia 26 de Maio de 1839, no Vaticano, pelo Papa Gregório XVI (02/Fevereiro/1831 - 01/Junho/1846).

 

FESTA LITÚRGICA

Sua Festa Liturgia anualmente é celebrada no dia 10 de Julho.

 

HOMENAGEM

O Mosteiro onde viveu na Itália recebeu o seu nome: “MOSTEIRO DE SANTA VERÔNICA GIULIANI”, na Città di Castello.

 

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