HISTÓRIA DA DEVOÇÃO

 

O MILAGRE

É tradição enraizada na Itália, que aproximadamente no ano 580, o Capitão Maurício (como era conhecido), numa expedição marítima com seus homens na embarcação, enfrentou uma terrível tempestade no Mar Mediterrâneo. Nervoso e preocupado com aquela situação, homem religioso praticante, decidiu apelar para a MÃE DE DEUS. E assim, gritando com o Terço na mão, suplicava o socorro de NOSSA SENHORA. No auge dos seus sofrimentos prometeu que, se fosse salvo com sua tripulação, teria o maior prazer de construir um belo Santuário em agradecimento a tão preciosa e eficaz proteção materna da SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA, junto a DEUS NOSSO SENHOR.

E de fato a embarcação atracou segura e firme no porto, sem qualquer outra dificuldade, sendo ele preservado do eminente perigo de morte com seus marujos. Feliz e satisfeito, logo se movimentou para cumprir a promessa, tratando de arregimentar o pessoal e o Mestre para a construção do templo religioso em homenagem a VIRGEM MARIA e ao SENHOR DEUS, na cidade de Rossano Cálabro, na Calábria, Itália.

As Obras começaram e em poucos meses o Templo se delineou na paisagem local, trazendo alegria ao povo e ao clero. Concluída a construção, imediatamente iniciaram o acabamento, com a realização das pinturas, assim como, com a colocação das imagens, moveis e bancos de madeira para uso dos fiéis.

Todavia, algo insólito aconteceu com a pintura da imagem de NOSSA SENHORA, que estava sendo pintada numa das paredes, por um artista famoso, que foi contratado e veio de Florença para realizá-la. O trabalho do pintor que ia sendo realizado dia a dia com capricho e beleza, além de todos os cuidados, no dia seguinte misteriosamente a imagem desaparecia; simplesmente sumia da parede sem deixar qualquer mancha de tinta. Esse fato aconteceu durante dois dias. Todos ficaram intrigados e pensavam: "Alguém está desmanchando o trabalho do pintor e atrasando a inauguração do Santuário!" Por outro lado, o artista contratado ficou aborrecido com o acontecimento, porque estava perdendo o seu tempo e ninguém conseguia imaginar uma providência eficaz para apurar o que estava acontecendo, e corrigir o problema. Bastante contrariado, não queria recomeçar a pintura outra vez. Então o encarregado da obra, numa tentativa para solucionar o caso, decidiu e colocou um vigia, com a determinação de não permitir que ninguém entrasse no Templo, até que o Santuário estivesse totalmente concluído e inaugurado.

No dia seguinte, começando anoitecer, uma bela e distinta senhora trazendo nos braços um lindo e sorridente garotinho, pediu ao vigia licença para entrar, pois desejava rezar diante de uma linda imagem de JESUS que estava colocada no altar.

O rapaz-vigia havia recebido a ordem de não permitir a entrada de ninguém na Igreja. Aquele era o seu serviço... Então uma grande dúvida envolveu o seu coração... Sim, porque diante dele, estava uma senhora perfeitamente distinta, que fez o pedido com extrema delicadeza e educação, e desejava somente rezar um pouco; e em seus braços a senhora trazia uma criança forte e muito bonitinha, revelando que se tratava de uma mulher de boa família. Pensativo, abaixou a cabeça, e depois olhando com mais atenção para a mulher perguntou: “A senhora deseja apenas rezar, não é verdade?” A visitante respondeu: “Sim senhor, por favor.”

Embora ainda com alguma dúvida, olhou para os lados, não havia mais ninguém. Minuciosamente olhou mais uma vez para a mulher e a criança, e cuidadosamente a examinou com o olhar. Verdadeiramente se convenceu, de que não existia nada de anormal ou de estranho com aquela mulher. Ao contrário, suas palavras eram agradáveis e respeitosas. Ele então permitiu que ela entrasse na Igreja para rezar.

Acontece que o tempo passava ligeiro e a mulher e o filho não voltavam. Depois de meia hora, ele começou a ficar preocupado, estranhando aquela demora excessiva! E por isso mesmo, resolveu entrar no Templo para ver onde ela estava. E caminhando em direção ao Altar, teve uma surpresa admirável: olhando na parede do lado esquerdo, viu aquele lindo painel: “Aquela mesma Mulher e o Menino que entraram na Igreja para rezar, estavam ali desenhados com absoluta perfeição na parede ao lado do Altar! Era NOSSA SENHORA e o MENINO JESUS”.

Entre o susto e uma admirável alegria, correu em direção à porta de entrada da Igreja repleto de emoção, e quis anunciar a plenos pulmões o fato ocorrido, a todas as pessoas que passavam por ali: “É NOSSA SENHORA ACHIROPITA! É NOSSA SENHORA ACHIROPITA!”A palavra Achiropita num idioma usado na Itália significa (não feito ou não pintado por mãos) = A + kirós + pita = (não pintado por mãos). Então era um milagre! Uma bela pintura apresentando NOSSA SENHORA com o MENINO JESUS em seus braços, para alegria de toda a Comunidade Religiosa. Era mais um nome para a MÃE DE JESUS e uma bela “Devoção” proporcionada pela SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA e o SENHOR DEUS.

Esta devoção logo se espalhou na Itália e os emigrantes italianos quando vieram para o Brasil, trouxeram para nós, a bela imagem da MÃE SANTÍSSIMA no final do século XIX.

 

SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA ACHIROPITA e Cidade de "Rossano - Cálabro" (na Itália)

   

 

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