MOSTEIROS DESCALÇOS

 

AGORA COM A PERMISSÃO OFICIAL DO PAPA

Em março de 1565, o Novo Mosteiro recebeu a sanção do Papa Pio IV para o novo claustro de pobreza absoluta, através da renúncia à propriedade, logo consolidado em cláusulas da Constituição da Ordem (Regra). Além de ter reavivado Regras Antigas e mais severas, conforme já mencionamos, Teresa acrescentou na Regra da Ordem, o silêncio e três disciplinas semanais de flagelação, assim como o abandono do calçado, passando a usar sandálias, por isso o nome de “descalças”. A vestimenta das religiosas eram hábitos toscos, e nas refeições, abstinência perpétua de carne. E assim, com a sanção oficial, Teresa veio morar junto as Irmãs no Mosteiro que ela fundou. Também vieram duas Freiras, que decidiram deixar o Mosteiro da Encarnação e permanecer com Teresa no Novo Mosteiro de São José. Neste mesmo dia, elas receberam o hábito da nova Comunidade Religiosa. E conforme já estava programado, a princípio, ela não aceitou comunidades com mais de treze religiosas. Entretanto, mais tarde, naqueles Mosteiros que possuíam alguma renda, foi autorizado que residissem vinte monjas.

 

DIREITO DE FUNDAR OUTROS MOSTEIROS

Juan Bautista Rubeo de Rávena, que era o Prior Geral do Carmo, no ano de 1567, lhe concedeu uma Carta para fundar Mosteiros da sua Ordem. Nessa época teve um encontro decisivo com São João da Cruz, que já era considerado o Príncipe da Teologia Mística. Os dois se entendiam de maneira admirável, e assim, iniciou ali um conhecimento abençoado pela graça Divina, em meio à ardentíssimo arrebatamentos místicos e ocupações práticas no projeto das fundações, que fez de Teresa uma “Santa do bom senso”, uma contemplativa imersa na realidade do quotidiano. Juntos avançaram para fundar as Novas Casas Religiosas conforme o projeto original de instalar os Mosteiros Reformados. Teresa realizou muitas viagens ao longo dos anos, por todas as Províncias Espanholas, viagens que ela relata minuciosamente no seu livro: "Libro de las Fundaciones" . Entre 1567 e 1571, os Conventos Carmelitas Reformados foram fundados em Medina del Campo, Malagón, Valladolid, Toledo, Pastrana, Salamanca e Alba de Tormes.

E também, tendo permissão pela Carta Patente recebida, junto com São João da Cruz e Padre Antonio de Heredia, criou duas Novas Casas para homens que desejassem seguir as suas Reformas. Com sua poderosa e eficiente pregação São João da Cruz convertia o povo e conseguiu muitos membros para o movimento. Em Novembro de 1568, eles fundaram o Primeiro Convento de Irmãos Carmelitas Descalços em Duruello. Também receberam o precioso apoio de Jerônimo Gracián, que era o Comissário Apostólico da Antiga Observância Carmelita da Andaluzia, que colocou o seu integral apoio para a fundação de Conventos em Segóvia, Beas de Segura, Sevilha e Caravaca de la Cruz (Múrcia)

 

REAÇÃO DOS MEMBROS DA ANTIGA OBSERVÂNCIA

Os "Carmelitas da Antiga Observância" , perceberam que estavam perdendo terreno, que os Mosteiros Reformados estavam crescendo de maneira impressionante, e então, no ano de 1575, com apoio das autoridades que concordaram, empreenderam sérias perseguições aos "Carmelitas Reformados" , principalmente a Teresa e seus amigos diretos. Eles chegaram ao absurdo de denunciar os principais membros dos Reformadores a terrível Inquisição. E mais, nas resoluções estabelecidas no Capitulo de Palência, as autoridades Carmelitas proibiram a fundação de Novos Mosteiros Reformados e, condenaram Teresa a uma reclusão voluntária em uma das suas instituições. Ela obedeceu e escolheu ficar no Carmelo Reformado de São José, em Ávila.

Como havia de ser natural, aconteceu uma revolta pacífica em todos os amigos de Teresa e nas autoridades que acolheram e apreciavam o valor incontestável dos Mosteiros Reformados. Todos repudiaram a decisão do Capitulo Geral de Palência e se movimentaram para restabelecer a liberdade religiosa conforme o direito canônico. E assim, depois de várias súplicas por escrito ao Rei da Espanha, Felipe II, os Reformadores conseguiram amenizar a situação. Em 1579, os processos contra Teresa e Gracián, que estavam na terrível Inquisição, foram engavetados, permitindo assim, que os Reformadores continuassem o seu trabalho. E também, um documento elaborado pelo próprio Papa Gregório XIII, dividiu o Carmelo em duas Ordens distintas: a Ordem do Carmelo da Antiga Observância com o seu Provincial e, a Ordem do Carmelo Reformado também com o seu Provincial correspondente. Assim, voltou a paz e tranquilidade aos Carmelitas em geral. Teresa e Gracián foram libertados da condenação e continuaram o seu trabalho.

 

NO FINAL DA EXISTÊNCIA

Nos últimos anos da sua existência, Teresa fundou Mosteiros em Villanueva de la Jara no norte da Andaluzia, em Palência, Soria, Granada e Burgos. Tendo fundado ao todo dezessete Casas Carmelitas Reformadas para mulheres e também 15 Mosteiros Reformados para homens, ao longo de 20 anos de trabalho reformador.

Sua derradeira fundação foi em Burgos. Regressando da fundação , fez uma parada em Medina del Campo. Mas assim que chegou, recebeu um comunicado  que a Duquesa de Alba queria conversar com ela. Imediatamente se deslocou para Alba de Tormes. Cansada, enferma e esgotada, seu organismo não resistiu, morreu nos braços de Ana de San Bartolomé, na noite de 4 de Outubro ou 15 de Outubro de 1582 (esta dualidade de datas aconteceu pela mudança do Calendário Juliano para o Calendário Gregoriano). Suas últimas palavras foram:

“Meu SENHOR, é hora de seguir adiante. Pois bem, que seja feita Tua Vontade. Ó meu SENHOR e meu Esposo, a hora que tanto esperei chegou. É hora de nos encontrarmos!”

Foi sepultada em Alba de Tormes, onde também estão as suas relíquias.

Trinta e dois anos depois da sua morte, em 1614, foi BEATIFICADA pelo Papa Paulo V, e em 1622, foi CANONIZADA pelo Papa Gregório XV. Cinco anos antes, em 1617 as “Cortes Generales Espanholas” escolheram Teresa para "Padroeira da Espanha", ao mesmo tempo em que a Universidade de Salamanca conferiu-lhe o diploma de “Doctor Ecclesiae”. Em 27 de Dezembro de 1970 foi agraciada pelo Papa Paulo VI com o titulo de “Doutor da Igreja”, na mesma data em que Santa Catarina de Sena recebeu o mesmo titulo.

 

LIVROS ESCRITOS POR TERESA

Escreveu diversos livros com fins didáticos, para ajudar as religiosas na realização do seu ideal de vida, sendo mais fervorosas, perseverantes e autênticas:

1 – Sua autobiografia: “A VIDA DE TERESA DE JESUS”

2 – “O CASTELO INTERIOR” (em espanhol: El Castillo Interior)

3 – “CAMINHO DE PERFEIÇÃO” (Camino de Perfección)

4 – “MEDITAÇÕES SOBRE O CÂNTICO DOS CÂNTICOS” (Meditaciones sobre los Cantares)

5 – “RELAÇÕES” (Relaciones)

6 – “CONCEITOS DE AMOR” (Conceptos del Amor)

7 – “EXCLAMAÇÕES” (Exclamaciones)

8 – “VISITA DAS IRMÃS DESCALÇAS” (Visita de Descalzas)

9 – “AVISOS” (Avisos)

10 – “APONTAÇÕES” (Apuntaciones)

11 – “DESAFIO ESPIRITUAL” (Desafio Espiritual)

12 - "LIVRO DAS FUNDAÇÕES" (Libro de las Fundaciones)

13 – E também: “AS CARTAS”(Las Cartas)

14 – E mais 30 Poesias.

 

 

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