“A FÉ ABRE HORIZONTES”

 

A FAMÍLIA

João nasceu no dia 13 de Março 1599, em Diest, uma pequena cidade localizada no Flandres, próximo a Bruxelas, capital da Bélgica; sendo Batizado na Igreja de Saint Sulpice no dia seguinte, 14 de Março. Seu pai chamava-se Carlos Berchmans, era um homem simples e modesto, mas muito trabalhador e especializado na curtição de peles de animais; também exercitava o oficio de sapateiro, porque tinha muitas virtudes, além do capricho e da pontualidade. Por sua desenvoltura, o senhor Carlos inclusive, era o líder político no povoado e muito amigo do Prefeito local. A sua mãe era a senhora Isabel Vanden Hove, filha do Prefeito, uma mulher muito religiosa, que frequentava a Igreja aos domingos e feriados. Assim, seus pais eram católicos conscientes e praticantes, e tiveram cinco filhos, meninas e meninos, dos quais, João nasceu primeiro, era o filho mais velho. Todavia, sempre com muito amor e dedicada preocupação, os pais se dedicavam a todos os filhos, com uma esmerada educação, criando as cinco crianças com a mesma atenção paterna e maternal, infundindo-lhes religiosidade, carinho e um precioso amor.

VIDA ESCOLAR

 

Particularmente João tinha um grande afeto pelos seus irmãos, era companheiro eficiente e muito caridoso, que ajudava a todos, desde a menor dificuldade. Esse proceder era uma característica especial do seu gênio e também, a exemplo de seus pais, amava os estudos o que lhe proporcionava uma preciosa sabedoria e muita inteligência desde o período da infância. Com apenas seis anos de idade ingressou na “Klyne School”; mas em face de seu notável desempenho e demonstração de conhecimentos, logo em pouco tempo, foi transferido para a “Grande École”. Todos os dias pela manhã, saia de casa para o Colégio, mas passava na Igreja de Saint Sulpice onde foi Batizado, para rezar. O Pároco sempre observava a pontualidade daquele menino. Certo dia o convidou para ser “coroinha” nas celebrações, a fim de ajudar na Santa Missa. Ele aceitou com alegria. Assim, todos os dias o jovem saía de casa mais cedo, ajudava na Igreja e também piedosamente rezava as suas orações a DEUS; depois, seguia para as aulas no Colégio. Sem dúvida, João era bastante caprichoso e competente, e conduzia sempre os estudos com muita seriedade e satisfação. Por isso mesmo, com a idade de 10 anos, podia-se apreciar nele aquela evidente propensão para o sacerdócio.

 

TERRÍVEL DOENÇA DA MÃE

No ano de 1609, sua mãe foi acometida de uma séria e incurável doença. Os recursos médicos naquela época eram bem modestos. Ela não tinha condições para continuar naquele trabalho permanente e diário no lar, cuidando do marido e dos filhos. E assim, depois de permanecer durante meses num leito, ficou utilizando uma cadeira de rodas com locomoção precária. A partir desta época foi auxiliada por suas irmãs, que se revezava com um auxílio necessário a ela e as crianças. Então seu pai colocou os filhos num internato dos padres premonstratenses. João estava com a idade de 10 anos, e era uma criança viva e inteligente, que levava muito a sério as orações diárias que fazia carinhosamente a DEUS, revelando também em seu interior uma disposição sincera de sempre servir com alegria e até muito fervor, realizando demonstrações puras e carinhosas em todas as oportunidades, essencialmente para agradar e mostrar o seu amor sincero e apaixonado por JESUS e a SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA.

 

ÉPOCA DIFÍCIL PARA O COMÉRCIO

Entretanto, aconteceu que a partir dessa época, os tempos começaram a ficar muito difíceis para o comércio em geral. Seu pai teve que retirá-lo do internato e decidiu confiá-lo ao Cônego Pierre van Emmerick, que era o Pároco da Igreja de Notre Dame em Diest. Esta solução foi boa, porque na verdade proporcionou ao jovem João uma especial formação intelectual e religiosa, consolidando os seus conhecimentos e recebendo muitos outros. No ano 1610 ele recebeu a sua Primeira e Sagrada Comunhão Eucarística. Ficou repleto de felicidade, porque era um desejo que crescia em sua alma e inundou o seu coração de alegria.

Apesar das economias que a família era forçada a fazer, no ano 1612 os negócios do pai começaram a fracassar ainda mais, dando origem à natural falta de dinheiro, e então, ele chamou o filho para ajudá-lo no trabalho. O rapaz obedientemente foi, mas lhe suplicou: “Pai não me impeça de continuar os meus estudos; viverei a pão e água, mas deixa-me ser Sacerdote.”

 

 

AUXÍLIO DIVINO

DEUS misericórdia infinita vendo o problema de João e de seus pais, a Providência Divina logo apresentou a solução ideal: “Inspirou as tias, irmãs do Carlos e da Isabel, suplicar trabalho para o jovem ao senhor Capelão da Comunidade Religiosa de Diest. Ele estava necessitando de um auxiliar". E então, ele decidiu receber o João em sua casa. Na verdade, ainda que por pouco tempo, foi uma boa ajuda, muito preciosa e na hora certa. Na continuidade, o pai senhor Carlos encontrou-se com o Cônego Franz Von Groemendonk, que também era amigo da família, e trouxe notícias importantes, sugerindo que “um aluno tão brilhante como o João, deveria ser aluno da Grande École de Malines”. Sem demora o pai também recorreu aos parentes que tinham conhecimentos dessa Escola, e em pouco tempo acabaram descobrindo que o senhor Cônego de Malines, senhor Cônego Froymont, estava também precisando de um auxiliar, para trabalhar como instrutor de alguns jovens da nobreza, os quais o senhor Cônego era o orientador espiritual. Desse modo, o pai entrou em contato direto com o senhor Cônego. O religioso era um homem bom e muito generoso, além de ser o Superior Geral do Estabelecimento de Malines. Com simpatia acolheu a solicitação do senhor Carlos Berchmans, que coincidentemente atendia também, aos interesses dele, isto porque naquela época o senhor Cônego estava realmente procurando um estudante religioso para lhe ajudar na sua residência, trabalhando como tutor, assistindo às jovens crianças da nobreza, podendo também frequentar como externo, o Seminário do famoso Colégio de Malines.

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