FAMÍLIA E TRABALHO

 

 

LUTA COTIDIANA

A vida de Maria Teresa Goretti foi uma realidade bonita e muito sofrida. É a história de uma jovem pura, religiosa, fiel  e dedicada, trabalhadora preocupada em fazer somente o bem, procurando agradar e servir a todos com a maior satisfação, revelando uma exuberante felicidade no seu viver cotidiano.

Mariazinha, como era chamada na intimidade, nasceu em Corinaldo, Província de Ancona, na Itália, no dia 16 de Outubro de 1890, e foi Batizada no dia seguinte, na Igreja de São Francisco de Assis. Seus pais era Luigi Goretti e Assunta Carlini, agricultores e habituados ao duro serviço do campo. Todavia, o terreno da fazenda que possuíam não era bom e o solo não apresentava a fertilidade que esperavam, necessitava de uma completa e muito cara adubação naquela época, que nunca puderam fazer. Resultou que com a queda da produção, a renda familiar diminuiu e as dividas aumentaram. Tiveram que vender a propriedade para pagar os compromissos assumidos e sobrar algum dinheiro a fim de continuar o trabalho em outro local.

Na primeira experiência de emigrar, a família deixou Corinaldo com todas as suas amizades e parentes e mudou-se para Colle Gianturco, perto de Paliano, no Lazio, em 28 de Outubro de 1896. Mas infelizmente, não conseguiu se adaptar no local e não conseguiu também nenhuma vantagem financeira, ao contrário, só tiveram muitas despesas.

A família era grande, tinham sete filhos, sendo que o primeiro Antonio, morreu prematuro com 8 meses de idade, sendo criados e educados seis (6) crianças: Ângelo, o mais velho, depois Mariazinha (Maria Teresa); Mariano; Alexandre; Ersília e Teresa.

Por esta razão, em busca de melhor oportunidade, a família emigrou-se para Ferrieri di Conca, próximo a atual Latina e Nettuno, também no Lazio, e foram trabalhar como meeiro nas terras do Conde Gori Mazzoleni.

 

REGIÃO PANTANOSA

Acontece que naquela região havia os pântanos Pontinos, e principalmente no período do verão era considerado o “paraíso dos mosquitos” , espalhando a “malária” por toda redondeza, fazendo vítimas em muitas localidades, matando muita gente. Luigi, sabia desta séria dificuldade, mas considerando a excelente fertilidade do terreno, ele preferiu enfrentar o problema, naturalmente também providenciando alguma proteção para ele e a família. Ao lado da esposa Assunta, com quem sempre trocava sugestões, cheio de confiança afirmava: “DEUS NOSSO SENHOR sempre proverá”!

Luigi era um homem trabalhador e tinha uma fisionomia serena, acostumado a enfrentar as intempéries da existência com fé e muita coragem. Cultivava a religião com muito respeito e tinha uma confiança muito grande na proteção e na misericórdia Divina. No trabalho e no trato com as pessoas, sempre exercitou com firmeza a prática do direito, da justiça e do amor fraterno. E assim, apesar da sua imensa pobreza material, a sua fé era imensa, de uma riqueza impressionante, rezando para DEUS e para a SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA com a convicção absoluta de que ELES estavam presentes na sua vida, e que jamais deixariam desamparados ele e sua família.

E verdadeiramente, em face da boa qualidade das terras, aconteceu o que Luigi esperava, as colheitas foram abundantes e animadoras, estimulando-o cada vez mais o seu empenho, a sua coragem e dedicação no trabalho, sobretudo, porque sentiu que em poucos anos de trabalho conseguiria fazer a independência da família.

Na área onde foi trabalhar, ele e sua família ficaram alojados numa casa fornecida pelo Conde, proprietário do terreno. Era um sobrado simples, com quatro quartos, uma ampla cozinha e uma pequena escada de acesso, além de dois compartimentos sanitários separados. Junto com a grande família Goretti, o Conde Mazzoleni também colocou na mesma casa a família Serenelli, constituída pelo pai viúvo João e o filho Alessandro, formando uma sociedade entre eles, na produção agrícola. As refeições eram preparadas pela senhora Assunta e a arrumação e limpeza da casa era feita pelos filhos Goretti, enquanto os três homens trabalhavam na plantação.

 

MEDO E MORTE

Na lavoura do Conde havia muitos outros homens trabalhando, pessoas que moravam em outras casas, bem distantes desta onde estavam os Goretti. E o trabalho na roça é aquele que todos conhecem, um trabalho difícil e muito cansativo, e inclusive, com todas as limitações da época. Todavia, mesmo com as forças negativas em evidência, o serviço seguia firme e bem produtivo ao longo dos meses.  Quando entrou o verão, embora todos continuassem com o mesmo empenho, os mosquitos da malária começaram a se proliferar nos pântanos vizinhos, como acontecia anualmente, e ocorreu o que já se esperava, diversos homens foram contaminados, ficaram doentes e morreram. Luigi sabia que isso também podia lhe acontecer um dia, e por isso mesmo, nas oportunidades em que ajudava a descarregar os caixões de companheiros de trabalho mortos pela malária, muito pensativo dizia para os mais íntimos: “Nossa vida aqui é muito difícil, numa oportunidade qualquer, um destes caixões será o meu”.

Entretanto, ele não se acovardava, o medo de perder a vida não o desencorajava de trabalhar naquelas terras, que embora fossem tão férteis, diariamente ali se encontrava presente a morte abominável, representada pelo terrível mosquito da malária. Por essa razão, e pela necessidade de manter sempre no seu lar a presença Divina, todas as noites, após o jantar, reunia a família e juntos rezavam o Terço de NOSSA SENHORA, suplicando luz para o seu trabalho e a eficaz proteção do SENHOR, estimulando uma união respeitosa e amorosa na família, e que na sua vida e na existência dos seus familiares, sempre se realizasse a magnânima Vontade de DEUS.

Naquela pobre região dos pântanos, não só os mosquitos da malária representavam um evidente perigo, havia outros perigos insidiosos, representado pelos que habitavam aquela região, onde existiam pessoas de diferentes naturezas e de costumes perigosos, a maioria dos quais, não cultivava o amor a DEUS e não exercitavam os mínimos preceitos da moral. Aquela variedade de instrução e comportamentos colocava a dignidade e o respeito mútuo e devido, num plano não desejável, completamente independente e muito distante do amor fiel, da prática do direito, do cultivo da honra, da justiça e da boa moral.

Todavia, o trabalho seguia a sua cadência normal, sem outras novidades, cada um procurando produzir de acordo com as suas possibilidades. Até que certo dia Luigi reclamou um mal estar geral no corpo. Não deu importância e seguiu normalmente com o trabalho. Entretanto, aproximando-se o fim do dia, as reações manifestadas pelo seu organismo indicava certa anormalidade. Infelizmente havia chegado a sua vez: foi mordido pelo mosquito e pegou a terrível malária. Destruído pela doença, iam morrendo nele os 14 anos de laboriosa e amorosa vida familiar. Luigi adoeceu na primavera do ano 1900, um ano depois de ter mudado para Ferrieri di Conca. Quis terminar o trabalho na lavoura do trigo até a colheita, mas a doença era muito forte e por isso mesmo, não teve a mínima condição física em face do estado da sua saúde estar extremamente debilitada pela doença. Faleceu no dia 6 de Maio com 41 anos de idade. No leito de morte, conversando com a esposa, pediu: “Assunta, quando eu morrer, volte para Corinaldo, que é uma região mais civilizada”. Ele tinha medo, que além da malária, o mal que havia na consciência de muita gente pudesse alcançar a sua família.

 

A MÃE DE MARIAZINHA

A senhora Assunta, Mãe de Maria Goretti, era outra grande guerreira, mulher batalhadora que se movimentava ao longo do dia inteiro sem descanso, para proporcionar o melhor ao seu esposo, aos seus filhos e deixar a moradia com um agradável aspecto de limpeza e bem cuidada. Recebeu de seus pais o nome de Assunta, porque nasceu no dia 15 de Agosto, que é a data de comemoração da Assunção de MARIA ao Céu, quando a SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA, concluído os seus dias entre nós na Terra, pela Vontade de DEUS, subiu aos Céus, conduzida em Corpo e Alma, por um sonoro cortejo de Anjos.

Assunta foi mãe sete vezes, e ficou viúva com 34 anos de idade. Continuava feliz ao lado da família, lembrando-se dos bons acontecimentos do passado, apesar da saudosa presença do seu querido Luigi. Lembrava-se que todas as vezes que nascia um filho, ele cheio de alegria, promovia uma oração festiva no lar, com os filhos e parentes, para melhor louvar a bondade Divina que lhe confiava mais uma alma, que era uma nova esperança no quotidiano da sua pobre família.

A morte de Luigi a deixou prostrada pela dor, sentindo profundamente a ausência do marido, a ternura do seu amor, a sua permanente disposição em sempre servir e ajudar, a confiança que depositava nele e nas suas iniciativas, e sua grande proteção. Perdeu os “poderosos braços” da sua existência, agora somente lhe restava uma imensa fé em DEUS, sem dúvida, uma fé alicerçada em baluartes concretos de esperança e de confiança na bondade infinita e misericordiosa do SENHOR DEUS e da SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA, nossa Mãe, para seguir na sua luta cotidiana, na total dedicação a sua família, expressão maior do seu amor e da sua fidelidade à vontade Divina.

E assim, lembrando-se dos diálogos que mantinha com seu esposo Luigi, após um breve período de hesitação após a morte dele, decidiu continuar em Ferrieri di Conca, ao invés de logo voltar para Corinaldo. Porque ali onde estava, o terreno era muito fértil, eram terras muito produtivas que oferecia boas possibilidades a família. E para ajudar, ela decidiu ir para a roça, substituindo a função do marido, trabalhando firme em sociedade com os Serenelli.  E também recebeu uma ajuda preciosa de dois filhos homens: Ângelo e Mariano que também decidiram começar a trabalhar na lavoura. No lar, Mariazinha assumiu a posição dela, com seus 10 anos de idade, enfrentou a cozinha como “gente grande”, se revelando uma menina atenta e responsável, substituindo a mãe em todos os afazeres domésticos. Também os vizinhos Cimarelli, que moravam numa casa próxima, lhe davam uma preciosa mão e a estimulavam moralmente a enfrentar as dificuldades que ocorriam. Assim, a vida pareceu tomar um rumo certo e definido, apesar da triste perda do Luigi.

 

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