OUTRAS PROVAÇÕES

Depois da Profissão de Fé, Irmã Margarida passou sucessivamente por diversas ocupações no Mosteiro. “Em todo lugar ela se mantinha com seu natural fervor” , relataram as Irmãs Contemporâneas. Mas em alguns lugares, ela também recolheu a mirra dos sofrimentos e das humilhações. Todavia, jamais se esmorecia porque estava com DEUS.

Foi nomeada a principio para ajudar na enfermaria, mas foi onde também sofreu bastantes humilhações, sendo maltratada e inclusive, motivo de zombaria, pela sua absoluta e total simplicidade. Escreveu ela, “aquelas criaturas e o demônio, conseguiam destruir minha tranquilidade pessoal e me faziam frequentemente cair ao chão e romper ou quebrar tudo o que eu tinha entre as mãos, e depois zombavam de mim, rindo algumas vezes no meu nariz e dizendo”:“Ó Lourdes! Você não fará mais nada que vale!” “Isto deixava o meu espírito numa tristeza e num abatimento tão grande que não sabia o que fazer, porque aqueles fatos me roubavam o poder de levá-los ao conhecimento de nossa Madre, em virtude da obediência que, me abatia e dissipava todas as minhas forças.

A enfermeira era a Irmã Catherine Augustine Marest. Colocando a Irmã Margarida na função de auxiliar da enfermaria, a Providência Divina aproximou duas pessoas cujo caráter era diametralmente oposto. A Irmã Catherine era uma mulher de natureza viril e decidida, enquanto Margarida era humilde, obediente e delicada. E por isso mesmo, nossa Santa teve muito que sofrer na enfermaria. Quero dizer que lá ela tirava o sofrimento dos outros, mas também teve que sofrer muito.

O testemunho de Madre Greyfié que foi a Superiora substituta no Mosteiro, elucida diversos aspectos do cotidiano de Margarida, embora mostrando a mesma realidade que os outros já tinham mencionado, com o objetivo de ajudar a desenhar o retrato moral da Serva de DEUS. Ela disse:

“Margarida era naturalmente prudente e sábia, tinha o espírito bom, o humor agradável e o coração muito caridoso. Numa palavra, pode-se dizer que era uma pessoa ajustada e melhor condicionada dentro da Comunidade Religiosa, e que se saiu muito bem em todas as funções que exerceu, tanto que o SENHOR não lhe atendeu a solicitação de permanecer desconhecida e oculta em seus sofrimentos”.

O Padre Croiset escreveu sobre a Santa: “DEUS lhe deu um espírito profundo e tranquilo, um julgamento sólido, fino e penetrante, uma alma nobre e um grande coração”.

 

ADMIRÁVEIS ENSINAMENTOS DO SENHOR

As comunicações entre a Irmã Margarida Maria e JESUS eram incessantes e sempre aconteciam num terreno bem diferente daquele que habitualmente vivemos. Era o diálogo amoroso da Santidade Suprema e inventor do Amor com a jovem e humilde aspirante ao Amor Divino.

Ela recebia diariamente uma notável quantidade de graças Divinas, e nos faz compreender com plena evidência, que seria impossível diante de tantos favores celestes, negligenciar na prática das virtudes, mesmo das mais humildes, simples e inocentes, que eram o verdadeiro e sólido fundamento de sua Ordem.

Em Janeiro de 1673, São Francisco de Sales, confiou a toda jovem professa de sua Ordem um doloroso segredo. Ele se referia à caridade, a caridade para com DEUS e com o próximo, porque ela reflete a grandeza mais profunda de um coração sincero e humildade. E por isso recomendava o seu intenso cultivo.

A Madre de Saumaise, vendo que sua filha continuava a receber tais graças extraordinárias, lhe ordenou escrever tudo o que se passava em seu interior. Entretanto, Margarida envolvida pela sua natural simplicidade, começou a escrever sem estimulo e com extrema repugnância. NOSSO SENHOR lhe apareceu e disse:

“Porque se recusa a obedecer a Minha Voz (através da Irmã Superiora) e escrever isto que vem de MIM e não de você, que não tem nenhuma parte nisso a não ser a sua adesão? Considere você e vendo os seus méritos, ponhas a conhecer de onde veio todo o bem que você possui. Você não tem nada a temer, porque inclusive, EU lhe dei asilo no lugar onde se tornou fácil para sua vocação pessoal”!

Ela obedeceu imediatamente.

O livro “Memória”, escrito pela Irmã Margarida não existe mais. Existem cópias antigas, que apesar de desgastadas pelo tempo são irrepreensíveis e pela sua autenticidade, tem o valor do original.

Escreveu a Irmã:

“Numa vigília da Santa Comunhão (Hora Santa) , eu pedi ao meu JESUS para unir o meu coração ao DELE, porque isto era a minha maior pretensão. ELE, sempre muito atencioso, através de comparações, estava me explicando como unir o "nada" ao TUDO . Eu estava começando a compreender, quando me lembrei da criança na praia com Santo Agostinho, querendo colocar toda a água do oceano num pequeno buraco na areia!

Com a grandeza do Amor Divino, para o meu total entendimento, JESUS abriu o seu manto e me mostrou o seu CORAÇÃO Maravilhoso, mais brilhante que um sol e de um esplendor incomensurável. Nele estava um pequenino ponto que quase se assemelhava a um átomo de tão pequeno, negro e desfigurado, mas que fazia um imenso esforço para se aproximar do centro daquela resplandecente luz. Mas era em vão, ele não conseguia progredir com seus recursos, se este CORAÇÃO Amoroso Magnânimo de Bondade não o tivesse atraído, enquanto dizia:

“Mergulhe no abismo de minha grandeza e se mantenha vigilante para nunca mais sair, porque se abandonar o seu lugar, lá não entrará nunca mais”.

“Eu senti no peito o meu coração pulsar fortemente! Compreendi que embora sempre tenha me dedicado a oração, agora a prece era uma necessidade em minha vida, meu coração estava definitivamente unido a DEUS através da oração! Então uma grande paz me envolveu, infundindo uma profunda confiança de estar usando bem o tempo da vida que o SENHOR me concedeu, primordialmente no exercício do amor santo e perseverante que dedico ao meu CRIADOR.

Algumas vezes, nervosa e preocupada, imaginando que o demônio estivesse me tentando e construindo armadilhas ao meu redor, disse ao meu DEUS:

“SENHOR, fazei-me conhecer as astúcias do demônio, a fim de que eu as evite”!

Mas o meu Bem-Amado com suas palavras me fizeram entender que o demônio não podia conhecer o interior das pessoas, porque ele não possui este dom. Todavia, quando alguém dá algum sinal exterior, cometendo alguma leviandade, que não podia ou não devia cometer, convida satanás a comparecer, e a paz abandona o seu coração, como primeira consequência da investida do maligno.

Em outra ocasião, Irmã Margarida estava quase perdendo a sua voz que a impedia de cantar o Oficio Divino, que muito apreciava. A vigília da Visitação que há muito tempo não frequentava por causa de problema com sua saúde, ela compareceu no dia 1º de Julho de 1673. Tendo feito grande esforço para seguir o coro no começo das Matinas e não tendo êxito, se aniquilou durante a adoração. De repente, no momento do TE DEUM, enquanto tinha os seus braços modestamente cruzados sem as mangas da roupa, uma luz Divina incidiu sob a figura de uma pequena criança brilhando como um sol que lhe apareceu. Transportada para tal espetáculo, ela disse, num profundo sussurro: “Meu SENHOR e Meu DEUS, para que este excesso de amor abaixando assim Vossa grandeza Infinita até a minha insignificante pessoa”?

“EU venho, minha filha, lhe perguntar: por que você ME disse para não ME aproximar de você tão frequentemente”?

“O SENHOR sabe, ó meu Soberano, que é porque eu não sou digna de me aproximar de meu DEUS e muito menos de O tocar”.

“Aprenda, quanto mais você se isola em seu nada, mais a minha grandeza se abaixará para lhe encontrar”.

Temendo que aquele fosse um anjo de Satanás, Margarida humildemente exclamou:

“Se verdadeiramente é o meu DEUS, faz então que eu cante os Seus louvores”!

Naquele mesmo momento, a voz dela se soltou mais livre e mais forte do que nunca.

Ela teve então o feliz privilegiado de cantar o Te Deum com o coro, e o resto das Matinas que aconteceram, sem que todas as carícias que lhe proporcionava então a Divina Criança a desviasse um instante da atenção respeitosa que tinha ao Santo Oficio. NOSSO SENHOR a abençoou dizendo:

“EU quis sentir o modo como você recitava os MEUS louvores, porque se você estivesse ansiosa e menos atenta aos dizeres do canto, EU teria me retirado”.

“Tendo conservado minha boa voz por longo tempo”, prosseguiu a Irmã, “eu a perdi uma segunda vez e tendo novamente pedido a NOSSO SENHOR que me a restituísse, ELE me respondeu que aquela voz não era para mim, e que ELE tinha me emprestado só para me obrigar a crer. Por isso, eu devia permanecer contente na perda como na posse dela, e nem devia mostrar indiferença”.

Esta máxima ela já tinha aprendido de NOSSO SENHOR. ELE lhe ensinou que ela devia se submeter indiferentemente com a mesma atenção a todos os desejos de seu DEUS, sem se confundir e querer LHE dar as leis, e disse mais:

“EU lhe farei compreender na sequência, que EU sou um sábio e erudito Diretor Espiritual, que sei conduzir as almas sem perigo, enquanto elas se abandonam a MIM se esquecendo delas mesmas”.

Foi uma pequena repreensão do SENHOR em benefício da perfeição do caráter da Irmã.

Numa Páscoa, o trabalho de nossa Santa a impedia de rezar com a Comunidade. Aquilo provocou nela um pequeno pesar, porque a lição Divina não podia ser devidamente atendida.

“Sabe minha filha, que a oração de submissão e de sacrifício ME é mais agradável que a contemplação”, disse o seu Soberano Mestre.

Outro dia, uma voz interior lhe dizia sem cessar que ela estava à beira de um precipício. Não compreendendo o que estava acontecendo, confiou sua aflição a NOSSO SENHOR:

“Único Amor de minha alma, fazei-me conhecer isto que me inquieta”!

Atendendo a sua oração NOSSO SENHOR se apresentou coberto de chagas, dizendo-lhe para olhar a abertura do Seu Sagrado Lado Direito, que era um abismo sem fim, cavado por uma lança sem medida, aquela do amor. Si ela queria evitar o abismo que lastimava não poder conhecer, ELE falava para ela se perder neste abismo, porque este era a morada daqueles que O amava. A alma lá encontra a fonte da Água Viva para se purificar e receber ao mesmo tempo a vida da Graça, que o pecado lhe tem tirado. O coração lá encontra uma fornalha de Amor que não o deixa mais viver que de uma vida de Amor.

Dias após, a Irmã Margarida Maria, estava sentindo sua alma mergulhada em grande agonia. NOSSO SENHOR lhe honrou com sua visita e lhe disse:

“Entre, minha filha, neste tabuleiro delicioso, para reanimar a sua alma enfraquecida”.

"Ela compreendeu que ELE falava de Seu SAGRADO CORAÇÃO, cuja diversidade das flores que o envolvia era tanta que sua beleza era admirável”.

Mas como ela não as ousava tocar, ELE a convidou com estas palavras:

“Você pode colhê-las a seu gosto”.

Então, se lançando a SEUS pés, disse:

“Ó meu Divino Amor, eu não quero de outra flor que não seja Vós. Ofereça-me um buquê de mirra, que quero levá-lo continuamente entre os braços de minhas afeições”.

“Você escolheu bem, me disse ELE, porque todas as outras flores são passageiras e não duram muito tempo nesta vida mortal, sem murchar. A mirra que você escolheu pode conservar sua beleza e seu odor, porque esta vida é sua estação: ela não existe na eternidade”.

Em outra oportunidade, escreveu a Irmã na sua Autobiografia: “fazendo uma leitura para colaborar com o entretenimento após as Vésperas (parte do oficio Divino), meu Bem-Amado se apresentou dizendo:

“EU quero fazer você ler o livro da vida, onde está contida a ciência do amor".

“E descobrindo o Seu SAGRADO CORAÇÃO, ELE me fez ler estas palavras”: “Meu Amor reina no sofrimento, ele triunfa na humildade e fica satisfeito na unidade” (na concordância). “Isto imprimiu tão forte em meu espírito, que jamais eu me esqueci daqueles dizeres”.

Dia 4 de Outubro é a Festa de São Francisco de Assis. O SENHOR entregou a este seráfico patriarca o cuidado de especialmente conduzir a Irmã Margarida Maria, depois de lhe ter mostrado a glória incomparável que ele gozava no Céu e de lhe ter dito que Francisco era “um dos mais favoritos de seu SAGRADO CORAÇÃO”.

Um dia a Santa meditava sobre a agonia do Salvador no Jardim das Oliveiras, e se sentiu fortemente pressionada pelo desejo de participar das angústias do DEUS Homem. ELE atendeu ao pedido dela: “Foi aqui onde EU mais sofri interiormente que em todo o restante de minha Paixão”, disse ELE: “porque ME via num abandono total do Céu e da Terra, carregando todos os pecados da humanidade”.

Continuando com suas adoráveis confidências NOSSO SENHOR disse:

“Minha justiça está irritada e pronta a castigar, pelas punições evidentes, dos pecadores ocultos, se eles não fazem penitência. EU quero fazer você conhecer quando minha justiça estará pronta a lançar os seus golpes sobre estas cabeças criminosas. Isto acontecerá quando você sentir que minha santidade está ficando pesada, e que então, deverá elevar o seu coração e suas mãos ao Céu, para rezar e fazer boas obras”.

NOSSO SENHOR advertiu a Irmã Margarida que ela se sentirá cercada por Sua misericórdia, e ELE enviará muitas Graças a qualquer uma das almas pecadoras que pedir, desde que ela persevere no caminho para o Céu. ELE lhe proporcionará “uma pequena amostra” da alegria que os bem-aventurados recebem no Paraíso Eterno.

O sofrer vindo das criaturas é normalmente bem suportado por uma pessoa mesmo de natureza delicada... Mas o sofrer vindo do CRIADOR é um castigo de outra forma, de uma agudeza imensamente penetrante. Margarida Maria experimentava este tormento Divino (para aliviar a transgressão dos pecadores que aflige o SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS) quando sentia sobrecarregar sobre ela aquelas duas indescritíveis forças, que nomeou de duas Santidades de DEUS: "Santidade do Amor" e "Santidade da Justiça". Enquanto levando o peso da "Santidade do Amor", a Serva de DEUS devia reparar as faltas rezando e se sacrificando, pelas almas do purgatório. O peso da "Santidade da Justiça" devia fazê-la, sobretudo sofrer pelos pecadores e particularmente pelas almas consagradas a DEUS, “pelas quais”, lhe disse um dia o seu Esposo Celeste: “EU farei você ver e sentir na continuidade o que lhe convida a sofrer por Meu Amor”.

Mas é necessário entender a descrição que ela faz das operações deste Amor. Tais melodias não estão no âmbito da Terra.

“Outra vez, o Soberano de minha alma me disse”:

“EU quero ser todas as coisas, sua alegria e sua consolação, mas serei também o seu suplício”.

Disse a Irmã: “Eu conheci o efeito destas palavras. Entre as perfeições Divinas, aquelas nomeadas de "Santidade de Amor" e "Santidade da Justiça", eu confesso ser muito difícil a uma criatura experimentar os seus efeitos na alma e não sentir o quanto é doloroso e forte o sofrimento causado pela "Santidade de Justiça". Isto porque, ela imprime na alma pecadora o arrependimento de uma maneira tão terrível e profunda que, o pecador desejaria se precipitar em todos os castigos imagináveis e se imolar com crueldade, a sofrer esta tortura atroz, antes de aparecer diante da Santidade de DEUS. A alma pecadora sentirá como se estivesse imersa num azeite fervente que penetra até a medula dos ossos e torna o corpo tão insensível as outras dores que elas lhe parecerão como um refrigério, do que um sofrimento. Todavia, o que achei mais rigoroso foi à presença de meu Soberano, porque quando ELE aparece, imprime na alma a grandeza de sua pureza, que torna impossível a qualquer alma pecadora suportar, estando no seu estado deplorável de transgressão. Ela sentindo a imensidão do arrependimento quer fugir e se ocultar, mas em vão, não consegue. Por isso, a própria alma pecadora quer ser purificada, para se sentir em condições de aparecer digna e sem mancha na presença de DEUS”.

As advertências se multiplicavam.

Outro dia, JESUS se apresentou com um aspecto todo ensanguentado, o seu CORAÇÃO SAGRADO parecia profundamente magoado de dor. ELE disse a Margarida:

“Eis o estado em que ME reduziram o Meu povo escolhido, que EU havia destinado para apaziguar Minha Justiça e ele ME perseguiu secretamente. Si ele não se emenda EU o castigarei severamente. EU retirarei os Meus justos e EU imolarei o restante com Minha justa cólera, que se incendiará contra eles”.

Fiel ao que tinha lhe ensinado o Bem-Amado, Margarida Maria concluiu dizendo:

“Eu lhes mostrarei o Seu Divino Amor sofredor... Um olhar sincero e de arrependimento dos pecadores, será capaz de apaziguar a cólera de DEUS”.

NOSSO SENHOR sabe que é muito importante conservar a virtude dos perfeitos. A alma de Margarida Maria tanto não podia mais viver longe de DEUS, como o ser humano não pode viver sem o ar que respira.

Ela procura num grau mais alto ainda aquilo que experimenta, pois ela diz: “Eis as ordinárias ocupações de minha oração, não que eu faço mais comparando com o que meu DEUS faz em mim, sua medíocre criatura”.

“Meu DEUS CRIADOR, eu vos ofereço o Vosso FILHO Bem-Amado para a minha ação de graças por todos os bens que o SENHOR me fez, pelos meus pedidos, minhas ofertas, por minha adoração e todas as minhas decisões, enfim, eu Vos ofereço pelo meu amor e por meu tudo. Receba-me PAI ETERNO, eu me rendo totalmente a Vós”.

Esta verdadeira humildade estava sempre disponível aos seus superiores. Ela descreve o que se passava com ela, “ainda que em muitas oportunidades”, ela confessa: “eu não compreendia aquilo que eu lhes transmitia”. Muito elevadas são as vozes espirituais, para saber que DEUS tem a liberdade de se comunicar a quem ELE quer e como quer. Assim, através de sua escolhida, ELE Se comunica com a Madre de Saumaise e com a Irmã Thouvant, não sem deixá-las menos perplexas, vendo a Irmã Margarida chegar com as noticias. Em outras palavras, a Irmã transmitia integralmente as Superioras às palavras do SENHOR, mas na verdade, na maioria das vezes, ela mesma não entendia o que significavam aqueles dizeres de JESUS.

A prudência religiosa obrigava as Superioras usar meios adequados a precaver esta jovem professa contra todo o sentimento de vã complacência, se houvesse necessidade disto. Margarida se subjugava, seguindo exatamente tudo o que a obediência lhe ordenava para afastar aquela força superior que a invadia e lhe seduzia. Mas tudo era inútil... Nada de mais tocante nem de mais belo que o diálogo estabelecido entre a Irmã Margarida Maria e seu único Amor:

"Eu reclamei com ELE: Ó meu Soberano Mestre, porque não me deixa viver do mesmo modo que as outras filhas de Santa Maria? O SENHOR me trouxe a Vossa Santa Casa para me perder? Dê estas graças extraordinárias para as almas escolhidas, que VOS correspondem e glorificam mais do que eu, que só LHE faço resistência. Eu não quero nada mais além do Vosso Amor e da Vossa Cruz, e isto me é suficiente para ser uma boa religiosa, que é tudo o que eu desejo”.

NOSSO SENHOR lhe estimulou:

“Combate, minha filha, nós veremos de quem será a vitória: do CRIADOR ou da sua criatura, da força ou da fraqueza, do Todo-Poderoso ou da impotente; mas aquele que for o vencedor será para sempre”.

E o CRIADOR triunfou. Aquela alma que apenas pedia para ser “uma boa religiosa”, o SENHOR a transformou numa Santa, para cumprir a Sua Divina Vontade, de realizar exteriormente mais um admirável e impressionante esforço da Caridade de DEUS em favor da humanidade de todas as gerações!

Não é possível relatar aqui todos os magníficos ensinamentos e as maravilhosas visões que a Irmã Margarida teve do SENHOR. Importante acrescentar que JESUS preparava vagarosamente a sua escolhida para as grandes revelações do SAGRADO CORAÇÃO.

 

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