OS ÚLTIMOS ANOS

 

O PODER INTERCESSOR DE RITA

Quanto retornou da viagem a Roma estava cansada e silenciosa como nunca. Evitava sair, mas atendia a todos que a procurava no Mosteiro. Nesta época aconteceu um milagre que bem realça o seu poder de intercessão junto a DEUS. Foi procurá-la uma camponesa desesperada com o estado físico da filha, que depois de uma violenta queda, não conseguia mais andar. Dizia a mãe:

- “Era uma garota tão bonita, que não me cansava de agradecer a DEUS pelo nascimento dela”. E o pranto não a deixava continuar. Rita colocou a mão suavemente em sua cabeça. A senhora continuou a falar:

- “Minha filha não tem mais forças, não tem mais vontade de viver... Logo morrerá”!

Rita balançou a cabeça, não concordando com aquela possibilidade e acariciou-lhe os cabelos, dizendo:

- “Você precisa ter fé. Eu rezarei por ela, mas você precisa ter fé”. A mulher concordou, entre lágrimas... Rita acrescentou: “E não fale com ninguém que esteve comigo. Agora vá. Volte para a sua filha”. A mulher fez um sinal de “sim” com a cabeça, e Rita sorriu. Assim se despediram.

Poucas horas depois, chegando à sua casa, a camponesa viu muitas pessoas reunidas diante da porta da residência. Deu um grito de susto, temendo que a filha estivesse morta, e correu para lá. No entanto, a menina ria e pulava desembaraçadamente, batendo palmas e dançando. À medida que a camponesa entrava na sua casa, as pessoas lhe diziam: “Olhe a sua filha”! A garota estava ali no meio de todos, rindo e chorando de alegria. A mãe a chamou alto pelo nome, e ela, virando-se, correu ao seu encontro com movimentos rápidos, um pouco inseguros como uma criança que ensaia os primeiros passos, e disse:

- “Mamãe eu estou bem!... Olhe para mim”!...

Abraçaram-se. Ambas tinham o rosto banhado de lágrimas. Em volta, todos gritavam: “Milagre! Milagre”!

Choveram as perguntas:

- “Aonde você foi”? “De onde vêm”? “O que fazia esse tempo todo”?

A mulher transtornada pela irrefreável alegria, não conseguiu manter segredo e deixou escapar involuntariamente: “Estava com Rita. Ela me prometeu que rezaria por você. Minha filha devemos visitá-la e agradecer as orações que ela fez e pediu a DEUS por nós”.

GRAVE DOENÇA

Nos últimos quatro anos de vida, de 1453 a 1457, Rita foi acometida por uma terrível febre, que a mantinha durante todo o dia deitada, primeiro encima de uma dura esteira pousada sobre a terra, mas, por ordem da Superiora, a esteira foi substituída por uma enxerga (colchão rústico). Rita ficava imóvel na cama, num estado de dor contínua, oportunidade em que seu espírito ia para longe, “ia ao Paraíso e conversava com os Anjos”. Aqueles anos foram de grande sofrimento, que ela viveu na resignação e na serenidade, não obstante a dor que a dilacerava e consumia o seu corpo, já tão esgotado pelas penitências e jejuns. Mesmo assim, jamais parou de rezar. Durante a sua grave doença, uma das parentas de Roccaporena lhe assistiu todos os dias até a morte. Foi esta parenta que em Janeiro de 1457, Rita manifestou-lhe o desejo de ter uma rosa e dois figos que fossem colhidos na horta de sua ex-casa. Pediu que lhe trouxesse na manhã do dia seguinte.

A parenta, muito embora estivesse cética de que fosse encontrar a rosa e os figos naquele inverno rigoroso, em Roccaporena, mas se dirigiu à ex-horta da Santa e com grande espanto viu no roseiral coberto de neve uma esplêndida rosa vermelha, e bem próxima, na despojada figueira, dois belos frutos maduros. Com carinho e cuidado colheu-os, e no dia seguinte levou-os para Rita, que alegre e feliz cheirou e beijou a rosa e saboreou os dois figos.

Em memória ao prodígio da rosa, no atual Mosteiro de Santa Rita, perto de sua cela, existe em Cássia um viçoso roseiral que durante quase todo o ano floresce perfumadas rosas vermelhas. Este roseiral foi transportado daquela horta em Roccaporena para o Mosteiro.

MORTE E GLÓRIA

Aos 77 anos de idade, no fim do mês de Maio, Rita partiu para a esplendida e eterna primavera de sua vida no definitivo encontro com o SENHOR. Na biografia de 1628, as suas coirmãs, assim descreveram a sua morte: “Aproximava-se a hora da feliz passagem, quando lhe apareceu NOSSO REDENTOR com sua SANTÍSSIMA MÃE, convidando-a para o Paraíso. Donde ela, toda feliz, depois de pedir e receber todos os sacramentos se apressou a deixar o mundo. Seu debilíssimo corpo, consumado pelo jejum e penitências, no pobre e pequeno leito, estava acomodado e toda ela se fixava nas contemplações das coisas celestes, e assim, deleitosamente repousou no SENHOR, e subitamente, os sinos das Igrejas tocaram por si mesmos. Rita morreu num sábado, dia 22 de Maio de 1457”.

Conta a tradição, que não apenas os sinos de Santa Maria Madalena, mas também os das inúmeras Igrejas e Torres de Cássia repicaram festivos, e os habitantes locais acorreram ao Mosteiro para venerar os restos mortais, dos quais emanava um agradável perfume, enquanto a chaga do estigma na fronte dela emitia uma vívida luz. No dia seguinte realizou-se o ritual fúnebre, oportunidade em que por intercessão da monja agostiniana, DEUS fez os primeiros milagres, de uma série interminável que dura até nossos dias.

Reza a tradição que o primeiro milagre de Rita, depois da morte, foi do artesão Cicco Bárbaro. Foi ele quem fez o primeiro “féretro”, considerado humilde por sua confecção modesta. Ele era conhecido das irmãs do Mosteiro e tinha feito diversos trabalhos para elas, inclusive conhecia a Irmã Rita. Mas em face de uma paralisia nas mãos, parou de trabalhar. Como não havia ninguém na Igreja com aptidão para fazer o “féretro”, ele se apresentou para ajudar de alguma maneira. Por isso, cheio de pesar se aproximou para tomar as medidas da Santa, tocando de leve na veste de Rita. E então, neste momento aconteceu o milagre! Ficou curado instantaneamente.

O culto a Santa Rita de Cássia, que foi canonizada pelo povo antes da conclusão do processo canônico, refulgiu com particular esplendor em 1628, quando o Papa Urbano VIII a proclamou Bem-Aventurada e aprovou a Santa Missa própria em sua honra. A Beata Rita foi Canonizada em 24 de Maio de 1900 pelo Papa Leão XIII, que a definiu como “a pérola preciosa da Úmbria”.

No dia 22 de Maio de cada ano, Santa Rita é comemorada em todas as partes com solenes manifestações religiosas. Sua devoção se espalhou pelo mundo e cresceu de maneira admirável em face da quantidade impressionante de milagres, de todos os tipos, que DEUS realiza através de sua eficaz intercessão. É denominada “Santa dos impossíveis” e atualmente somou outro título, sendo considerada “a Santa de todos” , porque atende aos pedidos e clamores de todos aqueles que necessitam da proteção Divina.

 

GRAÇA PARA QUATRO FRATRICIDAS

Há um testemunho no processo canônico que demonstra como naquela época era normal em Cássia os jovens se sentirem com direito de matar uns aos outros, sem outra saída, por motivos bem mais fúteis que a obrigação de vingar o pai assassinado, conforme determinava a lei da Republica de Cássia. O caso descrito a seguir, é enumerado entre os milagres operados por DEUS, por intercessão de Santa Rita de Cássia, depois da sua morte.

Durante o processo de Beatificação de Rita surgiu para depor um dos irmãos Benaccursio de Roccaporena, com 76 anos de idade e filho de Giacomo e Ippolita. Diante dos Juízes ele teria que responder 28 perguntas e a primeira delas, era se Rita tinha existido mesmo. Respondeu Benaccursio dizendo saber que Rita tinha existido de fato, “por ter ouvido de meus antepassados, e em particular de meu pai, que estava com quase 95 anos de idade”. A vigésima pergunta do questionário referiu-se aos milagres atribuídos a Rita, ele respondeu: “Eu sei que a Beata fez milagres tanto em vida, quanto depois de morta, e a mim em particular, já que, tendo nossa família quatro irmãos e havendo uma divisão de herança a fazer, existia pouca concórdia entre os quatro, que nos transformou em homens irados, de tal forma que estávamos sendo forçado a nós matar mutuamente, por causa da herança. Cada um ambicionava mais que o outro. Para evitar essa terrível tragédia em família, recorri à referida Beata com devoção, suplicando-lhe se dignasse ajudar a fazermos a divisão em paz. E então, por graça da referida Beata, ela alcançou para nós a misericórdia Divina, e dividimos a herança com respeito, sem que houvesse briga entre nós”. Como demonstração de agradecimento, Benaccursio disse ter mandado confeccionar um “ex-voto” , para pendurar ao lado dos outros que existiam no túmulo da Santa.

Os juízes encontraram 216 atestados de fé (ex-voto) semelhantes ao mencionado acima, perto da grade que protegia o túmulo de Rita. Eram predominantemente tabuletas pintadas com a inscrição “por graça recebida”, representando os acontecimentos milagrosos alcançados de DEUS, por intercessão de Santa Rita. Iluminavam esse repertório 95 velas e numerosas lâmpadas votivas.

Para além do valor canônico, o testemunho de Benaccursio demonstra como o homicídio, naquela época e até mesmo o fratricídio (assassinato de irmão por irmão), podia se tornar em certas situações, uma necessidade verdadeira e pessoal, da qual era impossível sair dela, “a não ser por um milagre”.

SUCESSÃO DOS ACONTECIMENTOS

- No ano de 1457, por iniciativa de Monsenhor Eruli, Bispo de Spoleto, foi feita a primeira verificação do corpo de Rita. Foi encontrado incorrupto. A seguir foi deposto no "féretro solene".

- Em 1626, no dia 19 de Outubro, foi aberto o processo de Beatificação de Rita. Em 20 de Outubro, ocorreu a segunda verificação do corpo da Santa.

- Em 1628, o Papa Urbano VIII proclamou Rita Bem-Aventurada, ou Beata, e autorizou o seu culto.

- Em Fevereiro de 1703, depois do terremoto do dia 14 de Janeiro, foi feita a terceira verificação do corpo da Beata, e ainda desta vez, foi encontrado íntegro.

- No dia 24 de Outubro de 1745, foi feita a quarta verificação do corpo de Rita e a transferência dele para uma urna nova.

- No dia 24 de Maio de 1900, Rita é proclamada Santa, pelo Papa Leão XIII, que a denominou "a pérola da Úmbria". Sua Santidade também estabeleceu que a Festa da Santa fosse celebrada anualmente em toda Igreja, no dia 22 de Maio.

 

 

Próxima Página

Página Anterior

Retorna ao Índice