SEDUÇÃO DO SEXO – Apesar de sua dedicação aos estudos, encontrou no meio de tanta volúpia e sensualidade, aquela mulher que ele amou e que também foi desesperadamente amado por ela, sua companheira de pecado durante 15 anos de vida que mantiveram em comum. Dessa união nasceu uma criança que recebeu o nome de Adeodato.

Mônica agora tinha dois grandes e graves problemas para solucionar. Patrício, seu marido, que continuava pagão e volúvel, preocupando-se exclusivamente com os afazeres e as distrações, e seu filho, que se enveredara pelo caminho do pecado, vivendo amasiado com uma mulher com a qual já tinha uma criança. Era verdadeiramente uma situação desesperadora, considerando aquela alma sensível de esposa e mãe, dedicada exclusivamente a família, ver cada dia a dor transpassar-lhe o coração com a lança da angústia, ao sentir aumentar o abismo em que se precipitavam os seus entes queridos, cada vez mais se afastando de DEUS.

Mas ela não desanimou, continuou fervorosamente com as orações suplicando a misericórdia Divina para o seu marido e seu filho, rezando perseverantemente para que DEUS se apiedasse dos pecados deles e lhes concedessem o perdão, infundindo naqueles dois corações empedernidos, à luz da responsabilidade e da razão, transformando aquelas vidas, proporcionando-lhes descobrir a sublimidade do amor Divino.

CONVERSÃO DE SEU PAI PATRÍCIO - Como resultado de suas constantes orações, no ano 371, Patrício converteu-se ao cristianismo, pedindo  para ser batizado. Este foi o coroamento feliz de um trabalho longo e insano, que penosamente ela desenvolveu junto ao seu esposo, doutrinando-o com as verdades de DEUS.

Contudo, os anos já tinham levado a mocidade de Patrício. Com 60 anos de idade, a saúde já declinava no ocaso da vida. Contraiu uma grave moléstia que o levou ao leito e debilitou gravemente a sua resistência física. Acabou por não resistir, morrendo pouco tempo depois.

Mas a conversão dele foi uma das maiores alegrias de Mônica, que nos momentos de tristezas pela ausência do marido, a consolava, na certeza de que ele tinha alcançado o perdão do CRIADOR, e isto aliviava todos os seus sacrifícios e as dificuldades que encontrava, confortando-lhe o espírito, proporcionando-lhe um novo e forte alento, para seguir na luta, agora para a conversão de seu filho.

Agostinho já estava há algum tempo em Cartago quando soube da morte do pai. Resignou-se rapidamente e de certa forma, até rejubilou-se com o acontecimento, pois o seu pai depois de convertido, representava um freio em sua libertinagem. Aquelas recomendações e conselhos que insistentemente lhe transmitia, agora terminaram para sempre.

Pensava: "O estudante de Cartago obtivera um brilhante êxito, que superou a expectativa dos pais, e por isso, pelo fato de ter plenamente correspondido aos desejos deles, achava-se como que, dispensado da obrigação do reconhecimento".

Por esta manifestação estranha, pode-se imaginar o posicionamento anormal de seu espírito, que revelava um mal caráter e uma pessoa egoísta, com um sentimento mesquinho e totalmente vazio de valores morais. Na verdade, Agostinho estava envolvido por uma terrível confusão de idéias, sem saber qual o caminho a seguir.

BUSCA DE UM CAMINHO ESPIRITUAL - Possuindo um temperamento irrequieto e instável, decidiu partir para a pesquisa, iniciando a busca da verdade, procurando estudar e observar todas as religiões, principalmente aquelas onde constava o nome do SENHOR. Todavia é importante esclarecer, que ele somente procurava as religiões que tinham JESUS CRISTO como Salvador, mas não queria saber da Cruz do Redentor. Com isto o que ele desejava encontrar, era uma comodidade espiritual, ter uma religião "fácil", que combinasse com o seu atual modo de viver. E desta forma, gradativamente foi-se afastando do cristianismo, até que resolveu entrar na seita dos Maniqueus.

Inscreveu-se como "ouvinte", mas com pouco tempo, graças à sua inteligência viva e a fluente maneira de se expressar, ocupou a cátedra para fazer sermões e exaltar sua nova religião. E nas homilias sempre citava os nomes de JESUS CRISTO e do ESPÍRITO SANTO, muito embora no conjunto das palavras, só denotassem erros grosseiros a respeito da doutrina Divina.

Contudo Mônica não desanimava. Lutava com todas as armas que podia, realizando um esforço gigantesco para converte-lo, mas ele se mantinha irredutível, orgulhoso e seguro de seus conhecimentos. Ela insistia. Numa ocasião, recorreu ao Bispo de Tagaste pedindo a sua intercessão. O prelado conhecia Agostinho desde a infância, sabia da dureza de seu gênio e de sua obstinação férrea em defender as suas teorias. Por isso sugeriu-lhe que por hora deixasse as coisas assim, que continuasse com suas suplicantes orações, DEUS saberia agir no momento certo.

Mas o tempo corria ligeiro e a conversão não acontecia.

UM MELHOR TRABALHO NA ITÁLIA – Ele, por sua vez, vendo que financeiramente não conseguia se realizar em Cartago, resolveu partir para Roma em busca de um campo de trabalho mais amplo com melhores condições e onde poderia concretizar seus ideais.

Sua mãe, ao saber da notícia, ficou desesperada e foi a seu encontro. Conversou e insistiu com fortes argumentos, apelando inclusive para o sentimento dele, a fim de que não viajasse. Não adiantou. Partiu de navio para a Itália, depois de ardilosamente deixá-la rezando na capelinha de São Cipriano, que ficava próximo ao cais de embarque na praia. Mônica de tanto rezar, adormeceu... Quando acordou, procurou pelo filho, mas já era tarde. O navio estava longe. Nem se conseguia distinguir a sua silhueta no horizonte. Triste e cansada, voltou para Tagaste.

Ele chegando a Roma, encontrou hospitalidade na casa de uma pessoa que também professava a religião "maniqueu". Contudo, a vida em Roma estava muito difícil, isto porque, embora tivesse muitos alunos, na hora de receber o dinheiro correspondente ao seu trabalho, poucos pagavam, arrecadando um valor que praticamente não atendia as suas necessidades.

Certo dia, surgiu uma imprevisível oportunidade. De Milão enviaram uma carta ao Prefeito de Roma, solicitando um professor de retórica para a Escola da cidade.

A notícia espalhou-se e ele tomou conhecimento do fato por intermédio de amigos que tinham relações na municipalidade.

Pessoalmente, foi conversar com o Prefeito e solicitou o referido emprego. Símaco, que era o Chefe Municipal, para testar a sua capacidade intelectual, propôs-lhe um tema sobre o qual deveria discursar e argumentar. Foi fácil para ele, pois era a sua especialidade. Aprovado no teste, seguiu para Milão no ano 384.

Lá, trabalhando sério e com dedicação, em pouco tempo fez fortuna. Instalou-se convenientemente e chamou a sua companheira e seu filho Adeodato, que tinham ficado em Cartago, passando a viver numa casa próximo à Escola.

As noticias circularam rápidas. O êxito de Agostinho e sua decisão de chamar a amante chegaram aos ouvidos de Mônica, que imediatamente embarcou para Milão levando consigo Navígio, seu filho.

Foi uma surpresa para ele, pois imaginava que onde se encontrava, jamais seria incomodado por sua mãe. Mas a verdade é que ela seguiu para a Itália, movida por uma poderosa inspiração, que lhe deu forças e estímulo para continuar na  luta e alcançar o maior objetivo de sua vida: a conversão de Agostinho.

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