A Iniciação constitui um aprendizado prático e teórico da religião. Não apenas do conhecimento intelectual da Doutrina, mas também, um aprendizado de ritos e de práticas de vida.

O Catecismo da Igreja Católica estabelece que “a Iniciação Cristã deverá comportar alguns elementos essenciais: o anúncio da Palavra, o acolhimento do Evangelho proporcionando uma conversão, a profissão de fé, o Batismo, a efusão do Espírito Santo (a Crisma), e o acesso a Comunhão Eucarística”.

O Sacramento do Batismo abre a porta para uma vivência cristã, porque insere a pessoa no Mistério Pascal de Cristo, lhe introduz na Igreja e lhe concede acesso ao Sacramento da Eucaristia.

São três os Sacramentos que compõe a Iniciação Cristã: o Batismo, a Crisma e a Eucaristia.

O objetivo que deve levar as pessoas a se interessarem pela Iniciação Cristã, não pode e não deve se basear numa fundamentação exterior, ou seja, por tradição, porque é bonito, ou porque todas as pessoas fazem. Mas, sobretudo, deve conduzir a uma meditação sobre a realidade Divina que por certo irá gerar uma motivação interior, como ensina o Novo Testamento: porque a Vida Cristã deve se constituir numa “resposta” autêntica de nossa fé ao “chamamento” de Deus.

A preparação dos candidatos realiza-se através de um conjunto de instruções, de orações e práticas ascéticas, que recebe o nome de “Catecumenato”.

No século III, em Roma, este processo costumava durar vários anos e preparava as pessoas para receberem durante a Vigília Pascal, os três Sacramentos: primeiro o Batismo, depois a Crisma e a seguir, a Primeira Eucaristia (Primeira Comunhão).

Batismo de Adultos

Inicialmente eram Batizadas somente pessoas adultas, porque assim, elas poderiam participar, entender e assimilar todas as instruções.

Entretanto, a começar pelos locais distantes, em terras de Missões Cristãs, as autoridades perceberam a dificuldade para instruir devidamente os interessados e decidiram Batizar as crianças, filhos de pais cristãos. Na continuidade, os Pais com instrução religiosa, assumiam perante a Igreja, também o compromisso de educar religiosamente os seus filhos. E dessa forma, aos poucos, o rito específico de Iniciação Cristã de Adultos foi sendo abandonado. Quando eram Batizados adultos, seguia-se o rito do Batismo de Crianças e todos os passos se reduziam a uma única celebração, ou seja, Batizando-se Adultos e Crianças juntos no mesmo rito.

Todavia, o Concílio Vaticano II restaurou o Rito da Iniciação Cristã de Adultos, o qual deveria ser usado nos casos de Batismo de pessoas que já tivessem atingido o uso da razão. E determinou ainda, que o Rito incluiria toda a Liturgia do Catecumenato, com a Celebração do Sacramento do Batismo, da Crisma ou Confirmação e da Eucaristia, ou seja, o candidato seria instruído ao longo dos anos e receberia os três Sacramentos.

Dessa forma, a preparação e iniciação do neo-convertido se processaria gradativamente no seio da comunidade eclesial, através de encontros com a equipe de catequese ao longo de 2 a 4 anos, refletindo com os catecúmenos a excelência do Mistério Pascal de Cristo, renovando e robustecendo a sua própria conversão, além de induzi-los pelo seu exemplo, a obedecer com maior respeito e generosidade aos apelos do Espírito Santo.

Distinguem-se quatro tempos no itinerário da preparação de Adultos: o pré-catecumenato, o segundo tempo que é dedicado essencialmente a Catequese, no terceiro tempo segue com a purificação e iluminação interior, com seus ritos específicos e termina no quarto tempo com a “mistagogia” durante todo o período pascal, com o aprofundamento da catequese e das boas relações com a comunidade fiel.

Então deve ficar claro, que no Rito renovado da Iniciação Cristã de Adultos, estabelecido no Concílio Vaticano II, se prevê que o catecúmeno seja preparado para receber ao mesmo tempo os três Sacramentos: o Batismo, a Crisma ou Confirmação e a Eucaristia.

Seguindo essa orientação da Igreja, hoje não mais se pode conceber o Batismo de um Adulto seguindo o Rito de Batismo das Crianças, ou junto com elas. Nem tem sentido Batizar um Adulto depois de uma “rápida preparação individual” , para que ele possa receber o Sacramento do Matrimônio na Igreja.

Batismo de Crianças:

Vemos na Sagrada Escritura que há sempre um processo de conversão em resposta à Palavra de Deus. Só depois é que acontece o rito ou a celebração da salvação pela fé: através do Batismo. O Batismo constituía então como um selo, um sinal de justificação e de pertença ao grupo daqueles que pertenciam a Igreja. Realizava-se o que Cristo ensinara: “Quem crer e for batizado será salvo”.

Então, estes elementos fundamentais: ouvir a mensagem, responder pela fé, pela conversão do coração e uma vida conforme a nova dignidade de batizado, era normalmente o que ocorria no Batismo de Adultos. Nos primeiros séculos havia uma preparação que durava até três anos e o Batismo não era realizado por “infusão” de água e com as palavras do celebrante “Eu te batizo”, como é atualmente. O catecúmeno descia até a piscina e lá, dentro d’água, professava três vezes sua fé, respondendo às perguntas do ministro celebrante: “Crê em Deus Pai?” Creio;“Crê em Nosso Senhor Jesus Cristo?” Creio; “Crê no Divino Espírito Santo?” Creio, enquanto, após cada resposta, o batizando era mergulhado na água.

Sedimentadas as explicações anteriores alguém poderia lançar uma pergunta: "Sendo o Batismo um Sacramento de fé, uma resposta de fé e uma celebração da redenção na fé, como se justifica o Batismo de Crianças? As crianças não tem entendimento e nem razão para professar sua fé?"

Ora, mas se a Igreja instituiu e o pratica é porque certamente, como vamos ver, ele tem sentido.

A Igreja se fundamenta na realidade de que existem duas vias de justificação em Cristo:

1ª) Para os que têm o uso da razão são necessários a “Fé” e o “Batismo”. (É o caso do Batismo de Adultos)

2ª) Para as crianças, o Batismo é realizado na “Fé” da Igreja (dos Pais e Padrinhos cristãos, e dos fieis crentes que são membros da Igreja).

Assim, as crianças são Batizadas pela “lei da solidariedade e da representação”. Isto porque, o Plano de Deus da Salvação, primordialmente, observa as leis naturais. Na vida natural, a criança depende em tudo dos pais e é representada por eles, até juridicamente. Deus dá vida à criança que é gerada pelos Pais, que a alimenta, que lhe dá as vestes, educa e conserva a sua existência. Em tudo a criança é solidária com os Pais.

Algo semelhante acontece no plano religioso. Os Pais que receberam o Sacramento do Matrimônio, que crêem e seguem Cristo, são representantes e mediadores dos filhos diante do Senhor e por isso, naturalmente querem colocá-los ao lado de Jesus, entre os justificados, fazendo parte daqueles que pela “água” e o “Espírito Santo” são regenerados e fazem parte da comunidade dos Santos.

Assim sendo, após o Batismo, os Pais continuam exercendo sua missão mediadora, realizando uma ação sacerdotal em favor dos filhos, levando-os a rezarem e a praticarem o bem, até que atinjam o uso da razão e possam fazer seu ato de fé pessoal, assumindo de acordo com sua própria vontade, o Batismo celebrado pela Igreja quando eram crianças.

Para que tudo isto seja possível é necessário que os Pais e Padrinhos sejam cristãos, tenham recebido o Sacramento do Matrimônio e frequentem regularmente a Igreja, participando das Santas Missas, revelando a sua fidelidade a Deus.

 

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