"MOTIVO DA MANIFESTAÇÃO SOBRENATURAL"

- Em 8 de Dezembro de 1854, Sua Santidade o Papa Pio IX decretou solenemente o" DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA", resultado do acompanhamento e interpretação dos sinais sobrenaturais, assim como das pesquisas e estudos realizados por autoridades do Vaticano, os quais se encontram registrados num processo instaurado por ordem do Sumo Pontífice.

Como lembramos, o "DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO, afirma que Maria desde o primeiro instante da sua conceição, por privilégio singular do CRIADOR e atendendo aos merecimentos de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS e seu Divino FILHO, foi preservada do Pecado Original".

A satisfação do povo católico e do clero foi indescritível, isto porque, os Papas e a maioria dos cristãos, já consideravam esta verdade plenamente aceita. E por isso houve comemorações em todo o mundo, para jubilosamente dar ênfase ao Dogma, que ardentemente a Igreja almejava.

Assim, com a decretação da Bula Papal "Ineffabilis DEUS", Sua Santidade também reagia contra a maldade dos opositores e heresiarcas, fazendo exaltar com o necessário destaque, esta especial e extraordinária prerrogativa de NOSSA SENHORA.

Todavia, apesar do reconhecimento oficial da Igreja, uns poucos teólogos Católicos que pregavam a universalidade do Pecado Original, acompanhados de cristãos pouco informados, assim como pessoas de outras religiões, não acolheram o Dogma e nem a proclamação do Sumo Pontífice, criando uma indesejável divisão entre os cristãos, que roubava a harmonia espiritual que devia existir, primordialmente num tema tão relevante que envolve a MÃE DE DEUS.

Por esse motivo principal, aconteceu a intervenção sobrenatural, para fazer com que a Verdade prevalecesse e ficasse em destaque, ao alcance e conhecimento de todos os corações de boa vontade. Maria desde o primeiro instante da sua conceição no ventre de sua mãe, pela Vontade do CRIADOR, estava Imaculada, isenta de todos os pecados, inclusive dos mais leves e insignificantes.

O local escolhido para a grandiosa manifestação Divina foi no sul da França, num pequeno recanto pouco habitado chamado Lourdes.

BERNADETTE SOUBIROUS

- Para que a Intervenção não deixasse dúvida sobre a sua autenticidade, o CRIADOR escolheu uma jovem simples, humilde e sem qualquer instrução, que vivia com os pais e irmãos, de favor num cômodo, numa terrível e deplorável pobreza.

Bernadette nasceu em Lourdes, a 7 de janeiro de 1844, no moinho de Boly, que seu pai Francisco Soubirous (foto abaixo, a direita) herdou do sogro. Seu pai, homem forte e apesar de habituado ao trabalho, tinha pouca intuição administrativa e comercial, que lhe propiciasse bons rendimentos na profissão de moleiro. A mãe, Luisa Casterot, (foto abaixo) loira, de olhos azuis, possuía traços bem delicados e gênio muito agradável.

Bernadette, ou Maria Bernarda tinha três irmãos: Antonieta Maria (Toinete), João Maria e Justino.

Em 1852 os Soubirous atingiram a faixa perigosa da falta de dinheiro, em consequência da má administração do moinho. Tinham "pena" dos que não pagavam as contas e muitas vezes não se recusavam até em adiantar-lhes a farinha, por conta da próxima colheita.

Todos os clientes que traziam trigo para moer, ou que levavam a farinha, eram "muito bem tratados" pela moleira, que lhes servia vinho, queijo e até bolo. Ninguém fazia economia. Sem vaidade, mas por excesso de bondade, ofereciam o "máximo" a todos os visitantes .

Isto resultou no afastamento da clientela "boa" , aquela que pagava regularmente as contas, porque eles observando aquele desperdício, prenunciaram um péssimo desfecho para o negócio do senhor Francisco e ficaram receosos de involuntariamente serem também envolvidos em algum "desastre comercial".

Mas a clientela "ruim", aqueles que iam para se aproveitarem da fidalguia dos Soubirous, estes cada vez mais se enraizavam. O resultado não podia ser outro; com o crescente aumento das despesas e a diminuição do faturamento, as contas do moinho começaram a dar prejuízos .

Em 1854 tiveram que mudar de casa. Venderam o moinho para pagar dívidas e Francisco foi procurar emprego para poder viver.

Em 1855, convidada por uma tia, Bernadette foi morar em companhia dela, a fim de ajudá-la num pequeno restaurante e na execução de serviços caseiros, como remendar roupas, fazer barrela, coser, etc. Isto de certa forma foi bom para os seus pais, porque lhes aliviou o orçamento doméstico. Era uma boca a menos à alimentar. Mas pouco adiantou; em 1856, por causa do desemprego na região, os Soubirous são despejados da casa na rua Rives por falta de pagamento, e inclusive, tiveram que deixar algumas peças do mobiliário, que já era pequeno, para pagar a dívida.

Como não tinham local para morar, porque ninguém queria lhes alugar uma casa, Francisco foi procurar um primo, André Sajous, que tinha recebido de herança de um tio chamado Taillade, o prédio da antiga cadeia municipal, o " cachot (calabouço)" (foto abaixo), que estava abandonado, e onde André também morava com sua esposa e cinco filhos, num cômodo na parte superior. Sobrava um cômodo na parte inferior, que anualmente era alugado para uns miseráveis espanhóis. Era um buraco infecto e sombrio, a divisão inabitável da antiga prisão, abandonada por causa da insalubridade. E foi lá que Francisco Soubirous foi morar com sua família, porque foi o único local que conseguiu arranjar. E assim, num cômodo de 3,72 x 4,40 metros, arrumaram como podiam, as camas, armários e os utensílios de cozinha. Ali mesmo cozinhavam e dormiam.

Por esta ocasião, Bernadette já tinha voltado para junto de seus pais e irmãos. Na umidade daquele local, periodicamente sua asma crônica se manifestava em acessos violentos de tosse que a deixava quase sem fôlego.

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