ESCRITOS POR ATANÁSIO

 

SANTO Atanásio ainda escreveu muitos outros assuntos interessantes, como por exemplo os textos que seguem:

SOBRE O NASCIMENTO DAS PAIXÕES E O PECADO ORIGINAL

Este episódio foi extraído do livro em que o Bispo Atanásio escreveu “CONTRA OS PAGÃOS” .Ele descreve de modo bem singular o comportamento do primeiro homem e o acontecimento do primeiro pecado, o “Pecado Original”.

O primeiro homem (em hebraico denominado Adão) conservava no começo do mundo, segundo as Sagradas Escrituras, o seu espírito voltado para DEUS na mais pura liberdade e vivia como os Anjos, na contemplação das idéias que desfrutava no lugar que Moisés denominou figurativamente de Paraíso. Porque a pureza da alma a torna capaz de contemplar DEUS, nela mesma, como num espelho, conforme escreveu São João: “Caríssimos, desde já somos filhos de DEUS, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ELE, porque O veremos tal como ELE é”. (Jo 3,2) E também lemos esta verdade na palavra do próprio JESUS: “Bem aventurados os corações puros, porque verão a DEUS”. (Mt 5,8)

O CRIADOR formou o gênero humano e quis que ele permacesse para sempre. Mas a humanidade negligenciando as realidades superiores, e mostrando-se lenta para compreendê-las, deu preferência a aquelas que estavam mais próximas, o seu corpo e os seus sentidos. E assim, acolhendo o conselho da serpente, se afastou do pensamento de DEUS e passou a considerar a si próprios. Desviaram o espírito do ideal Divino e apegaram-se aos seus corpos e às outras coisas sensíveis, enganando a si próprios, preferindo o próprio bem-estar à contemplação das realidades Divinas. Desse modo, foram se afastando de DEUS, e demonstraram permanecerem recusando de se afastarem dos prazeres imediatos, aprisionando a própria alma nas volúpias corporais, considerando somente a si, e então, tomados pelos desejos do corpo, “conheceram que estavam nus” (Gn 3,7). E este conhecimento os encheu de vergonha, porque perceberam a sua nudez, não porque não tinham roupa, mas porque tinham sido despojados da contemplação de DEUS. Era a primeira consequência do “Pecado da Desobediência” e ao mesmo tempo “Pecado da Soberba” (iludidos pelo demônio, nossos primeiros pais imaginaram poderem ser como DEUS). Este foi o Pecado praticado na Origem, conhecido pelo nome de “Pecado Original”.

A ENCARNAÇÃO DO VERBO

Esta obra, a maioria dos pesquisadores acredita que foi escrita entre os anos 335 e 337, logo após a conclusão do livro: “CONTRA OS PAGÃOS” . O certo é que com o lançamento do livro “A ENCARNAÇÃO DO VERBO”, Atanásio passou a ser considerado como pioneiro da “nova teologia da SANTÍSSIMA TRINDADE”.

Sua doutrina acerca do LOGOS enraíza-se na idéia da Redenção. Desse modo, ele afirma: não teríamos sido resgatados se DEUS não houvesse assumido nossa natureza humana. Portanto, CRISTO, que é o LOGOS, é DEUS. ELE Se unindo à natureza humana, divinizou a humanidade. Graças a Encarnação do VERBO, a alma é regenerada, como se fosse criada de novo à imagem de DEUS. O ser humano é renovado. Isto porque, não só o corpo tem necessidade de redenção, mas o ser humano inteiro, “corpo e alma”. Uma criatura não tem recurso para alcançar a salvação para os outros, porque ela mesma tem necessidade da própria salvação. Só DEUS pode resgatar cada um de nós, ou seja, resgatar a humanidade de todas as gerações, como de fato ELE resgatou.

Assim sendo, afirma São Atanásio, o ser humano foi o motivo da Encarnação, porque o pecado criou uma dívida irreparável pelos próprios recursos humanos, e em consequência, a "lei de morte" entrou em vigor definitivamente para punir a transgressão.

DEUS criou o homem e queria para ele a incorruptibilidade perdurável, mas a humanidade por negligência abandonou a contemplação Divina, concebendo e fazendo nascer a maldade. Seus pensamentos se corromperam e a morte subjugou-os, reinando sobre todos. A humanidade que foi criada do nada e vivia pela Graça Divina, com a vinda do pecado retornou ao nada.

O ser humano racional, que foi criado à imagem do VERBO DE DEUS, desaparecia e a Obra do CRIADOR ia se arruinando. Este acontecimento era incompatível com a bondade de DEUS, pois, como imaginar que seres criados por ELE, fossem destruídos porque o diabo os havia enganado!

Seria incoerente que a palavra de DEUS não fosse verdadeira, no caso de que, promulgada a “lei de morte” (morte da alma para a graça de DEUS) para o homem transgressor do preceito, este não morresse após a transgressão, mas ficasse sem efeito a sentença Divina!

Então, o que devia fazer DEUS que é bom, uma vez que os seres racionais pereciam e as Obras Divinas se precipitavam na ruína? Devia deixar a corrupção prevalecer sobre eles e a morte dominá-los? Mas, se assim devia ser, que necessidade teria de criá-los no começo? De que precisava o VERBO DE DEUS nascer entre nós, que antes do começo criara todas as coisas do nada, a fim de então, obter a necessária graça Divina e a restauração humana?

Sem dúvida, competia ao LOGOS, o VERBO DE DEUS, reconduzir o corruptível à incorrupção, e salvar o que convinha ao PAI, em todas as coisas. ELE, portanto, o VERBO DE DEUS, acima de tudo, era o Único capaz de refazer tudo, de sofrer por todos, de ser em favor de todas as pessoas, um digno embaixador junto ao ETERNO PAI. Somente ELE tinha poder de restaurar todas as coisas e justificar a humanidade, consolando o PAI ETERNO.

São Paulo, na Carta aos Hebreus, escreveu indicando por que nenhum outro devia se encarnar, a não ser o VERBO DE DEUS: “Convinha, de fato, que AQUELE por Quem e para Quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o Autor da Salvação deles”. (Hb 2,10)

O VERBO assumiu o Corpo, a fim de oferecê-lo em sacrifício em favor dos corpos semelhantes ao Seu. Com efeito, pelo sacrifício de Seu próprio Corpo, ELE pôs termo a Lei que pesava sobre nós, renovou-nos o principio da vida e deu-nos a esperança da ressurreição.

Entretanto, Santo Atanásio esclarece que o VERBO DE DEUS não ficou circunscrito ao Seu Corpo. Na verdade ELE estava no Corpo, mas não deixou de estar também simultaneamente em outras partes. JESUS não movimentava apenas o Seu Corpo e deixava o Universo privado do Seu Poder e de Sua Providência. Desta forma, presente em toda a criação, por “essência” achava-se fora de tudo, mas em tudo está presente pelo "Seu Poder". Sua ação de vigilância providencial sobre todo o Universo não se encolheu com a Encarnação, mas continuou a ser exercida em plenitude.

Restava saldar a dívida de todos. Por isso, depois de ter revelado sua Divindade por Sua Obra admirável, restava oferecer o sacrifício por todos, entregando a morte o "templo de Seu Corpo", a fim de suprimir os obstáculos e libertá-los da antiga transgressão (Pecado Original).

CONCLUSÃO

O Bispo Atanásio escreveu também muitos textos meditativos sobre os Salmos e outros. Todavia, ele prestou uma preciosa contribuição para a elaboração do dogma TRINITÁRIO, com uma exposição clara e um conteúdo consistente sobre a doutrina da TRINDADE, especialmente sobre o LOGOS.

Defendeu veementemente a consubstancialidade do FILHO com o PAI e expõem com muita clareza a natureza e geração do VERBO. Foi um homem corajoso, de espírito lúcido, imbuído de fé viva e eloquência natural, que por isso mesmo, granjeou muitos admiradores entusiastas e inimigos ferrenhos. A fé no “Credo de Nicéia” encontrou nele o seu defensor maior e perseverante, porquanto a Igreja atravessava crises lamentáveis e podemos afirmar, em determinados momentos, somente Atanásio foi o seu único defensor, um baluarte resistente e indestrutível, onde o Credo encontrou integral e consistente apoio. Teve contra si o Império e sua polícia, os concílios que se sucederam e o episcopado. Mas manteve-se irredutível e com a convicção incólume, e no Concílio de Constantinopla, sua fé ganhou um texto definitivo e unânime, dando origem ao “SÍMBOLO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO”. A tradição cristã resume o gênio e o caráter de Atanásio como de uma pessoa extraordinária, afirmando que ele foi do ponto de vista da defesa da ortodoxia (fé) cristã, o maior homem de seu século.

Transcrevemos o mencionado “Credo”:

PROFISSÃO DE FÉ - CREDO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO

Creio em um só DEUS, PAI Todo-Poderoso, criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só SENHOR, JESUS CRISTO, FILHO Unigênito de DEUS, nascido do PAI antes de todos os séculos. DEUS de DEUS, Luz da Luz, DEUS Verdadeiro de DEUS Verdadeiro, gerado, não criado, Consubstancial ao PAI; por ELE todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para a nossa Salvação, desceu dos Céus: e se Encarnou, pelo ESPÍRITO SANTO, no seio da VIRGEM MARIA e se fez Homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do PAI. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu Reino não terá fim. Creio no ESPÍRITO SANTO, SENHOR que dá a vida e procede do PAI e do FILHO; e com o PAI e o FILHO é adorado e glorificado; ELE que falou pelos Profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só Batismo para Remissão dos Pecados. E espero a Ressurreição dos mortos e a Vida do Mundo que há de vir. Amém.

 

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