Vários motivos podem conduzir as pessoas ao Casamento. Nesta preparação, como ponto de partida, vamos encarar o Matrimônio como a realização de uma vocação.

Vocação é o caminho traçado por Deus para cada pessoa, ensejando-lhe a oportunidade de realizar plenamente todos os seus projetos e o ideal de sua vida, constituindo-se numa poderosa força invisível que estimula ardentemente cada pessoa a buscar sua felicidade existencial.

Sem qualquer dúvida, as pessoas se casam porque querem ser felizes no Matrimônio. Mas o elemento fundamental para que possa existir a desejada felicidade é o Amor. Sem Amor é impossível ser feliz.

O verdadeiro Amor é paciente, evita discussões, predispõe a querer o bem do outro, inclusive se sacrifica pelo outro, não busca vantagens pessoais, não exerce o egoísmo e nem a usura, procura harmonizar a vontade dos dois, cultivando a alegria e o prazer em conversar, em passear, em viajar e juntos fazerem suas orações a Deus.

O Casamento interesseiro, visando sexo ou bens materiais, geralmente tem os dias contados para ser desfeito. O Amor não se enraíza na volúpia do sexo e nem na ambição da busca do dinheiro. Da mesma forma que o castelo de areia feito na praia soçobra ao impacto das ondas do mar, o Casamento interesseiro vai-se rompendo e degradando melancolicamente, à medida que o fogo da volúpia sexual e ou a ambição financeira começam a declinar no horizonte do interesse pessoal.

Assim, sendo o Amor o elemento fundamental para um Casamento feliz, os casais deverão se preocupar com todas as suas energias, com todo interesse e cuidado, para que o Amor seja cultivado em plenitude, que seja “adubado” com a química carinhosa mais perfeita e adequada, e seja também cercado com um poderoso e inexpugnável baluarte, a “sinceridade mútua”, a fim de não permitir o traiçoeiro assédio das forças do maligno que tramam ocultamente a sua destruição.

E com certeza o Casal conseguirá este objetivo, sendo absolutamente transparente em seu comportamento, conversando sempre nos momentos apropriados, abordando todos os assuntos de interesse, principalmente os mais delicados, aqueles que poderão ocasionar ciúmes ou pequenos atritos entre os dois. Este procedimento fechará ao inimigo os acessos às suas almas, não permitindo que satanás encontre brechas no caráter do Casal para infiltrar a malícia e a desconfiança, gerando mal-estar e o desentendimento.

Quanto mais diálogo houver, maior entendimento existirá no casal, porque, sobretudo, Amar é conhecer, não só as qualidades aparentes, mas aquilo que existe no interior de cada um, descobrindo inclusive a tendência natural. Então é importante saber como cada um reage aos acontecimentos, o que mais almeja intimamente e o que um espera do outro. Os assuntos devem versar sobre todas as coisas que existem ou que aconteceram ao casal, não omitindo absolutamente nada. Também não deve ser esquecido, que Amar é responsabilizar-se pelo outro, é respeitar e valorizar a sua personalidade, se ajudando mutuamente a crescer e a aperfeiçoar as qualidades de cada um; não é olhar para os defeitos e sim, com inteligência e sabedoria, ajudar a eliminá-los. O diálogo franco e aberto não oferecerá campo à ilusão, nem a tirania e nem falsidade. É o meio mais seguro e mais simples, para que o entendimento floresça e frutifique, deixando espaço para o Amor crescer soberano no jardim da vida dos dois.

Almejando sempre eliminar os empecilhos da estrada existencial, o Casal deve procurar, em todas as oportunidades possíveis, fazer um aprofundamento na compreensão mútua, manifestando através das palavras uma apreciação com clareza das ocorrências, e então, devem colocar em evidencia os frutos que tem sido colhidos pelos dois, ou seja, se verdadeiramente está acontecendo um crescimento no relacionamento amoroso que os une.

Isto porque, deve existir em ambos uma busca incessante, ao longo de cada dia, de meios e ações que venham lhes auxiliar na conquista da harmonia e da paz.

O Casal é formado por duas pessoas que nasceram, cresceram e foram criadas em famílias distintas, cada uma com seus hábitos, com os próprios costumes de viver, de se alimentar, de conversar, de se divertir, de rezar, de apurar e corrigir alguma falta de responsabilidade de alguém, como também, em cada família, seus membros têm individualmente o próprio caráter, a maneira de pensar e agir, assim como as suas preferências e os seus cacoetes.

Então é necessário que exista no Casal um interesse espontâneo e insubstituível, de ir ajustando os seus hábitos, os seus costumes, estabelecendo a melhor maneira de se alimentar, de conversar, de se divertir, sempre com a intenção elevada de não querer impor a sua vontade, de ser intransigente e exigir a observância preferencial de sua opinião ou escolha. Com este procedimento eles vão conseguir aos poucos um maior conhecimento mútuo, que vai ser benéfico e eficaz na conquista do bom entendimento. Então, significa dizer, que deve haver bastante diálogo e tolerância entre os dois. Cada um deve ceder um pouco naquilo que é diferente do outro, buscando uma solução conciliatória, sem atritos e discussões, estabelecendo deste modo um padrão próprio para as suas vidas.

A seqüência deste procedimento, com certeza irá descortinar uma imensa compreensão em todos os atos do Casal, no modo de se vestir, na maneira de se alimentar, no jeito de se divertir, de conversar, de passear, de participar de festas e reuniões, de externar os seus pensamentos e suas preferências, mas, tudo isto, sem modificar o caráter individual. O Casal conseguirá unificar à vontade dos dois num termo médio, de tal modo que o autêntico prazer e a alegria que os envolve no cotidiano, será mostrada insensivelmente, sem qualquer afetação.

Este é o patamar ideal que todos devem trabalhar para alcançar, porque é o trampolim para o entendimento e a felicidade do Casal. Mas vejam, não é um caminho largo e fácil, ao contrário, é uma estrada sinuosa e cheia de pedregulhos, que para transitá-la com segurança requer muita dedicação, renúncias e sacrifícios. Deve existir no Casal uma permanente disposição para o diálogo, visando aprimorar o interesse em buscar soluções para todas as dúvidas e possíveis incompreensões.

E para que o diálogo prospere, primordialmente é necessário que exista a “sinceridade” em todas as atitudes. Sem ela, dificilmente os dois conseguirão harmonizar a sua existência.

A “sinceridade” é o alicerce sobre o qual todas as edificações se levantam e se realizam: as organizações comerciais, os partidos políticos, as congregações religiosas, e especialmente o Matrimônio bem sucedido e a nossa fiel devoção amorosa a Deus. Não havendo “sinceridade de propósitos”, dificilmente um projeto sério e bem intencionado conseguirá ser erguido e poderá se firmar.

Desse modo, quando duas pessoas dizem que estão se amando, é importante para o bem delas, que comecem a “educar” os seus sentimentos, ajustando os seus desejos e intenções, sobretudo, sendo “sinceros” mutuamente: na palavra, no comportamento e no olhar.

Na atualidade, onde o sexo é colocado como objetivo mais importante, é necessário que o homem e a mulher, aqueles que dizem se amarem, devem saber se portar com dignidade, com respeito e sinceridade onde estiverem: no trabalho, na rua, na praça, na praia, no divertimento ou no lar, não maculando a imagem do outro e a própria consciência. A concupiscência é forte e estimula satanicamente ao sexo proibido. Por isso mesmo, diante de uma cena de sexo explícito na TV ou no cinema, ou de uma atitude sensual e provocante no seu cotidiano, a reação natural e visível de um homem ou de uma mulher bem intencionados será fechar os olhos ou humildemente abaixar a cabeça, para não oferecer espaço ao perigoso germe da tentação.

E nós sabemos, o estímulo sexual é encontrado em todos os lugares: nas ruas, nas festas, nas empresas onde os responsáveis ou chefes de serviço abusam de sua autoridade, ou em consultórios de profissionais médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, advogados, dentistas e muitos outros, onde os clientes sofrem “as lascivas e abomináveis cantadas”. Por isso mesmo, o homem e a mulher deverão permanecer “ligados” e preparados para tudo. Não deverão acolher os convites e nem aceder a sedutora tentação. Deverão rejeitá-los com educação e atitude coerente, afastando-se sem qualquer ofensa, se possível em silêncio, sem qualquer tipo de manifestação, apenas demonstrando a sua decisão de querer sair dali. Então, é necessário que o Casal, tanto o homem como a mulher, tenham coragem e disposição para reagir diante de uma "cantada" , porque também só assim conseguirão manter-se individualmente fiel ao seu compromisso e a sua própria vida existencial.

Sabemos que não é fácil proceder assim! Mas este é o preço da vitória, da sua preciosa conquista contra as forças do mal que querem dissipar os seus sonhos, querem arruinar a sua vida e destruir o seu projeto de vida do seu lar.

Em compensação, depois sentirá a sua consciência leve e tranqüila, relembrará em sua mente a dignidade de sua atitude e com um inigualável prazer sentirá a sua honra brilhando, como se você estivesse num pedestal de granito indestrutível. E mais, terá a convicção de vencendo a força do maligno, ter arrancado um espinho cruel da corôa de Jesus, sentido em seu coração a ternura do sorriso Divino.

Mas para que exista vitória, terá que existir coragem decidida, porque é necessário que todos entendam e meditem sobre a grandeza dos fatos que acontecem ao longo de cada dia. Sim, as forças do maligno são invisíveis, estão completamente ocultas a nossa capacidade visual. Mas elas existem e são terrivelmente perigosas. Torna-se por isso, uma luta difícil e desigual, porque não vemos o inimigo e só percebemos a sua presença, quando uma trama maldosa se concretiza e quer envolver uma pessoa, ou um lar.

Entretanto, não podemos nos esquecer, Deus é misericórdia infinita, Ele inventou a humanidade e nos criou a sua imagem e a sua semelhança, numa demonstração espontânea e carinhosa de seu incomensurável amor, para propiciar-nos as maravilhas, o esplendor e as delicias do Paraíso Eterno. Por isso, não podemos e nem devemos esquecê-Lo, porque Ele é vital e insubstituível em nossa existência.

Diariamente o Criador derrama sobre a humanidade de todas as gerações e sem interrupções, independentemente de qualquer merecimento de nossa parte, uma torrente caudalosa de bênçãos e graças, para beneficiar todos os seus filhos, sem distinção de raça, de cor e de credo, aos bons e aos maus. As criaturas com sua liberdade de escolha, é que vão captar e acolher ou não, os "bens Divinos" que nos são proporcionados. Como sabemos, as graças de Deus são acolhidas de modos muito diferentes pela humanidade: existem pessoas que abrem o coração para recebê-las e outros que se mantêm fechados aos incontáveis benefícios do Senhor. Também entre os que se abrem, há neles um variado grau de intensidade amorosa na solicitação e recepção das graças. Existem aqueles que se abrem mais, são mais disponíveis, são receptivos, outros são mais fervorosos, sinceros e fieis, alguns procuram ser mais competentes e autênticos, mas há também aqueles que se abrem menos, que não são tão pontuais, outros não possuem uma sólida perseverança, são secos, impacientes no tratamento com as coisas sagradas e alguns são pouco disponíveis no relacionamento com o Criador.
O Amor de DEUS é igual para todos os seres humanos, mas nós é que o acolhemos em diferentes grandezas, em virtude da desigual maneira que cada pessoa se apresenta para recebê-lo.

Destas considerações, compreendemos que depende essencialmente de nós, de nossa vontade e de nosso querer, para recebermos as preciosas e incontáveis graças Divinas, que são necessárias para nos ajudar em nossa caminhada existencial, para ultrapassarmos as dificuldades, solucionarmos os nossos difíceis problemas, para dar-nos inspiração e sentido a nossa vida e também, para auxiliar-nos de modo efetivo a vencermos as ciladas e todas as investidas ocultas de satanás.

Por todas estas razões, torna-se evidente: ninguém pode viver distante de Deus, porque sem Ele a vida é incompleta e não tem qualquer sentido. Vou explicar melhor.

O Senhor com suprema e incomensurável bondade inventou a humanidade e permitiu que nascêssemos para um dia, desfrutarmos e participarmos de sua alegria e de sua esplendorosa glória. Deu a cada ser humano, um Corpo e uma Alma. O Corpo nasce do relacionamento amoroso de nossos pais, abençoado pelo Sacramento do Matrimônio; a Alma vem de Deus. No momento sagrado da fecundação, quando o espermatozóide do homem penetra no óvulo da mulher, a Alma, fruto da Vontade do Criador, também penetra no óvulo fecundado no útero, orientando a multiplicação das células e dando conformação ao feto, que é uma criatura que vai nascer para a vida.

Então, cada pessoa possui uma parte humana, que é o seu Corpo, e uma parte Divina, que é a Alma, invenção de Deus. São duas partes essenciais e ninguém existe sem elas.

Por isso mesmo, uma pessoa para ser "completa", sentir-se realizada, ou seja, para "viver em plenitude", terá que harmonizar a sua existência, satisfazendo igualmente as necessidades do Corpo e da Alma.

Satisfazemos as necessidades do Corpo, todas as vezes que atendemos as suas exigências, por exemplo: quando temos fome e comemos, quando temos sede e bebemos água e assim sucessivamente, quando praticamos esportes, fazemos recreações, dormimos etc.

Satisfazemos as necessidades da Alma, procurando uni-la a Deus, através de todas as formas de Orações, das Santas Missas que participamos dos Sacramentos que recebemos e das boas obras que realizamos.

Se uma pessoa apenas se preocupa em atender as necessidades do Corpo, "atrofiará" a sua Alma, sua existência será anormal mesmo que aparentemente mostre progresso intelectual ou financeiro; isto porque, possuindo duas partes vitais (Corpo e Alma), só exercita uma delas.

Da mesma forma que o Corpo não vive sem o alimento material, a Alma "não vive" sem o alimento espiritual (as orações e boas obras), ou seja, a Alma não tem “vida em plenitude" sem o seu primordial alimento que é a presença de Deus. Ela apenas existe... E Corpo com Alma "sem vida", é o mesmo que uma pessoa com um "membro atrofiado". Ele apenas existe, mas não funciona.

Estas considerações propõem que uma pessoa para ser equilibrada física e moralmente, deverá cuidar igualmente com o mesmo interesse e zelo, de seu Corpo e da sua Alma.

Conseqüentemente, procurando viver em perfeita consonância com sua própria natureza, procurando viver responsavelmente, estará vivendo também em inteira harmonia com a vida e por isso, será uma pessoa feliz. Terá as suas dificuldades e provações, como todos nós temos inerentes a Cruz e a Missão da existência que o Criador nos confiou. Mas terá também a lucidez, a tranqüilidade e o discernimento necessário a buscar as soluções mais adequadas para todos os problemas, que sua Alma inspirada pelo Espírito Santo, encontrará na Luz de Deus.

Pela lógica destas razões, nossa vida não tem sentido, sem a presença de Deus, porque em cada um de nós, existe desde o nascimento, um pedaço Dele que é a nossa Alma.

Então, meus caros, o senhor Deus é a diretriz para nossa liberdade pessoal, para vencermos o inimigo oculto que quer nos escravizar e para conseguirmos harmonizar a vida, porque com Ele temos a graça e a virtude perfeita, que apesar das dificuldades e dos problemas cotidianos, que apesar das tentações do maligno, a força e o poder Divino neutralizarão todo o mal e nos ensejará trilhar o caminho da justiça, instalando uma plenitude de compreensão, consolidando o Amor e possibilitando ao Casal, alcançar a tão sonhada harmonia.

Deste modo, os Casais que se amam e se doam mutuamente, nos períodos de Namoro e Noivado devem procurar organizar a sua existência, fundamentando o comportamento individual na Sinceridade Total (de pensamento, de olhar e de atitudes) e, sobretudo, cultivando um profundo e dedicado Amor. Isto porque, somente assim conseguirão construir um seguro caminho que os conduzirão a concretizar o sonho de um lar ideal, edificando uma verdadeira vida com a bênção Divina que lhes ensejará uma felicidade plena, com uma harmoniosa existência matrimonial.

(Finalizando a Palestra seria bem ilustrativo citar um exemplo de Casal de Namorados bem sucedidos, que planejaram e organizaram a vida pacientemente durante os anos de Namoro e Noivado, até alcançarem a realização do grande objetivo: a sagrada celebração do amor dos dois, com a cerimônia de seu Casamento)

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