EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS (SÃO PAULO APÓSTOLO)

EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

"Explicação Teológica"

 

As Epístolas aos Efésios, aos Colossenses e a Filemon, formam um grupo bem homogêneo: mesma missão de Onésimo e de Tíquico, companheiros de Paulo. O Apóstolo ainda está na prisão, e agora, tudo sugere que o cativeiro seja em Roma, isto porque se considerássemos que ele estivesse na prisão em Cesareia, não saberíamos como explicar a presença de Marcos e também de Onésimo junto dele.

                     A Epístola é dividida em duas partes:

I – O Mistério da Salvação e da Igreja.

II – Parênese. (Um Sermão de apelo à unidade, ao cultivo de uma vida nova em Cristo, a perseverança no exercício da boa moral e sobre o combate espiritual de todos os dias).

I – O Mistério da Salvação e da Igreja:

Paulo se eleva ao plano celeste e assim se manterá ao longo da Epístola, ensinando que é do Céu, desde toda eternidade, que descem todas as bênçãos espirituais, enumerando através de uma didática simples e objetiva, seis bênçãos. E ele explica que as bênçãos têm origem na liberalidade Divina que paternalmente derrama sobre a humanidade de todas as gerações, e que na reciprocidade do amor, servirão de exaltação a gloria de DEUS pelas criaturas. A 1ª bênção é o chamado dos eleitos a vida santa, respondendo com seu amor ao Amor Divino. A 2ª bênção consiste no modo escolhido pelo fiel a prática da santidade, no acolhimento e perseverante cultivo da filiação Divina, tendo JESUS CRISTO como modelo único e singular. A 3ª bênção está contida em toda Obra da Redenção pela Cruz de CRISTO. A 4ª bênção é a Revelação do “Mistério”. (Esta idéia de um “segredo” cheio de sabedoria há muito tempo escondido em DEUS e hoje revelado, é retomada por Paulo, que a aprofunda aplicando-a ao Plano da Salvação na sua fase suprema: a salvação operada pela Cruz de CRISTO, o apelo dos gentios a esta salvação, a salvação objeto do evangelho pregado pelo Apóstolo e a restauração do universo em CRISTO, como seu único chefe). A 5ª bênção é a eleição de Israel, a escolha por DEUS do povo judeu, na expectativa messiânica. A 6ª bênção é o chamado dos gentios a partilharem a salvação, antes imaginada pertencente somente ao povo judeu. A certeza disto eles tiveram ao receberem o ESPÍRITO SANTO prometido.

                     Focalizando o triunfo e a supremacia de CRISTO, Paulo escreveu: “Que ELE ilumine os olhos dos vossos corações, para saberdes qual é a esperança que o seu chamado encerra, qual é a riqueza da glória da sua herança entre os santos e qual é a extraordinária grandeza do seu poder para nós, os que cremos, conforme a ação do seu poder eficaz, que ELE fez operar em CRISTO, ressuscitando-o de entre os mortos e fazendo-o assentar à sua direita nos Céus, muito acima de qualquer Principado e Autoridade e Poder e Soberania e de todo nome que se pode nomear não só neste século, mas também no vindouro. Tudo ELE pôs debaixo dos seus pés, e o pôs, acima de tudo, como Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo: a plenitude DAQUELE que plenifica tudo em todos”.

                     Quando estávamos mortos em nossos pecados, escreve o Apóstolo, DEUS rico em misericórdia derramou a sua graça em CRISTO JESUS, que vivificou a humanidade e nos propiciou a salvação.

                     “Mas agora, em CRISTO JESUS, vós, que outrora estáveis longes (por causa do pecado e na ignorância de DEUS) foram trazidos para perto, pelo Sangue de CRISTO”. (A Cruz de CRISTO operou essa aproximação: primeiro dos gentios e dos judeus, e, depois, de todos eles com o PAI ETERNO).

                     Na continuidade relembra o dom Divino que o SENHOR lhe concedeu: “Eu, Paulo, o prisioneiro de CRISTO por amor de vós, os gentios... Certamente vós sabeis da graça de DEUS que me foi dada, a vosso respeito”. (A graça do apostolado junto aos gentios). Por isso ele é chamado de “Apóstolo dos Gentios”.

                     A seguir, ele faz referência ao Mistério da Redenção da humanidade, lembrando que o mesmo não foi revelado as gerações anteriores e aos homens do passado, sendo revelado agora aos seus santos e aos profetas do Novo Testamento. Os do Antigo Testamento não tiveram mais que uma percepção ainda obscura e imperfeita do Mistério de CRISTO.“Por essa razão eu dobro os joelhos diante do PAI ETERNO de Quem toma o nome toda família no Céu e na Terra, para pedir que ELE conceda, segundo a riqueza da sua glória, que vós sejais fortalecidos em poder pelo seu ESPÍRITO no homem interior, que CRISTO habite pela fé em vossos corações e que sejais arraigados e fundados no amor”.

II – Parênese:

Paulo enumera três perigos que ameaçam a unidade da Igreja: 1º) a discórdia entre os cristãos; 2º) a necessária divisão dos ministérios; 3º) as doutrinas heréticas. A eles, ele opõe os princípios e o programa da unidade em CRISTO. “Há um só SENHOR, uma só fé, um só batismo; há um só DEUS e PAI de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos nós. Mas a cada um foi dada a graça (carismas, graças particulares destinadas ao serviço da Igreja) pela medida do dom de CRISTO”. Por isso, recomendava o Apóstolo, abandonai o “Homem Velho” com seus vícios, na sua futilidade e ignorância de DEUS, e na dureza de seus corações, transformando-se pela graça Divina no “Homem Novo”, criado na justiça, no direito e na santidade verdadeira. “Não entristeçais o ESPÍRITO SANTO DE DEUS, pelo qual fostes selados para o dia da redenção”. (O ESPÍRITO SANTO que habita o interior humano é entristecido por tudo o que prejudica a unidade do Corpo de CRISTO). Cada homem deve revestir-se do “Homem Novo”, para ser recriado nele; e recomenda: “Tornai-vos, pois, imitadores de DEUS, como filhos amados, e andem em amor, assim como CRISTO também nos amou e se entregou por nós a DEUS, como oferta e sacrifício de odor suave”. E lembrava que a cobiça imoderada, particularmente ao dinheiro, revela o exercício de um culto que só é devido a DEUS. E por outro lado, sobre as torpezas cometidas, ele não concorda em se referir as mesmas com complacência, porque as deixando em sua obscuridade suspeita seria uma coisa má. Mas esforçando-se para corrigi-las, pondo-as bem visíveis, torna-se uma boa obra e assim, a luz expulsará as trevas, porque ela será a “Luz” (a inspiração) de CRISTO. Cuidai com atenção da moral doméstica, as mulheres sejam submissas aos seus maridos, porque o homem é a cabeça pensante da mulher, como CRISTO é a cabeça da Igreja e o Salvador do Corpo. E também os maridos devem amar as suas esposas, respeitá-las como ao seu próprio corpo.“Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo, pois ninguém jamais quis mal à sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também faz CRISTO com a Igreja, porque somos membros do seu corpo” (membros que formam o Corpo da Igreja, da qual CRISTO é a Cabeça).

                    Paulo insistia e suplicava: “Filhos, obedecei aos vossos pais, no SENHOR, pois isso é justo. Honra o teu pai e a tua mãe – é o primeiro mandamento com promessa – para seres felizes e teres uma longa vida sobre a terra”. O Apóstolo recorda em sua instrução para uma boa moral doméstica, o famoso Livro do Eclesiástico da Sagrada Escritura, escrito por Ben Sirac:

“O SENHOR glorifica o pai nos filhos e fortalece a autoridade da mãe sobre a prole. Aquele que respeita o pai obtém o perdão dos pecados, o que honra a sua mãe é como quem ajunta um tesouro”. (Eclo 3, 2-4)

                     Concluindo sua missiva Paulo chama a atenção para o combate espiritual de cada dia, em que a todo o momento as forças do “mal”, representadas pelo poder das trevas, querem vencer a resistência do “bem” a fim de implantar o caos e destruir a humanidade. Trata-se dos Espíritos Caídos que, na opinião dos antigos, governavam os astros e todo o universo. Na concepção antiga eles residiam “no ar” , entre a terra e a morada de DEUS, os quais o Apóstolo também denominava de “elementos do mundo”. Anjos de Luz que se ensoberbeceram e traíram a fidelidade devida a DEUS, por isso, foram expulsos do Paraíso Divino e agora, querem escravizar a humanidade através do pecado.

                     Paulo recomendava: “Por isso, deveis vestir da armadura de DEUS, para poderdes resistir no dia mau e sair firmes de todo o combate”.

 

Retorna a Página Obras